sábado, 25 de fevereiro de 2017

um gladiador no cerrado

foto Henry Ballot/Arquivo Público do DF

O cidadão na foto acima (de terno e chapéu de couro!), entre serpentinas e confetes, é Issur Danielovitch Demsky, mais conhecido como Kirk Douglas. O cenário: salão do então majestoso Hotel Nacional de Brasília. A data: 23 de fevereiro de 1963, um sábado de carnaval.
Naquele ano, acompanhado da sua segunda mulher, Anne Boydens, o ator estava na cidade do Rio de Janeiro, convidado para o carnaval carioca. Mas deu uma esticadinha até a nova capital país. Brasília ainda era um enorme canteiro de obras, muitos esqueletos de edifícios, uma vastidão sem fim de esperança.
A cidade era só concreto, mas ninguém é de ferro: os candangos se animavam como podiam naqueles quatro dias de samba, suor e poeira vermelha. O pessoal que pegava no pesado e os moradores das asas Sul e Norte, iam para frente da Estação Rodoviária, onde aconteciam os desfiles das escolas de samba. Que nomes teriam? Unidos dos Cerrados? Unidos da Novacap?... A principal delas, sabe-se, chamava-se no porta-estandarte Alvorada em Ritmos.
O ator de Spartacus (que fez um século de vida em dezembro passado!) não chegou a assistir a nenhum desses desfiles. No vigor dos seus 53 anos e pique de gladiador, no dia seguinte ao baile no hotel, deu um passeio pela cidade, andou de lancha, pescou no artificial Lago Paranoá e se mandou de volta pra folia na capital carioca.

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