sábado, 25 de fevereiro de 2017

a lição de Maruge

O camponês queniano Kimani N'gan'ga Maruge foi o mais velho aluno do mundo. Ficou conhecido ao aproveitar uma tardia oportunidade de estudar, aos 83 anos, quando a escolaridade primária gratuita do governo de Mwai Kibaki foi instituída no país em 2003.
Assim como Maruge enfrentou o domínio colonial britânico nos anos 50, levando para o resto da vida o trauma em ver a família assassinada em sua frente, teve que lutar para ser admitido em sala de aula, com alunos que tinham idade de serem seus bisnetos. Rejeição não pelas crianças, mas pela coordenação da escola ao considerar que um ancião não podia tomar lugar de um menino com futuro.
A história do determinado e resistente camponês, que em 2005 foi à ONU apelar aos líderes mundiais por educação aos pobres, foi levada às telas em 2009, no filme The first grader, lançado nos cinemas no Brasil com o título Uma lição de vida, e no Netflix, O aluno.
Com uma produção que envolveu grana dos EUA e Reino Unido, a direção do filme foi entregue a Justin Chadwick, o mesmo que fez em 2013 Mandela – O caminho para a liberdade, sobre outro ícone libertário africano.
O cineasta britânico Chadwick conduziu um roteiro quase como um “pedido de desculpas” pelo que seu país fez ao povo do Quênia, o que por pouco não prejudicou o desenvolvimento com sua narrativa maniqueísta.
Maruge é bem maior do que qualquer fragilidade do roteiro, no filme muito bem interpretado pelo veterano ator queniano Oliver Litondo, em uma química perfeita de atuação com a bela atriz inglesa Naomi Harris, que vive a professora Jane Obinchou, defensora do velho aluno entre os novos.
Na foto acima, o verdadeiro Maruge se alfabetizando. Faleceu aos 90 anos, em 2009. Não deu tempo ver o filme. Não conseguiu ver na tela o que leu na vida.

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