domingo, 26 de fevereiro de 2017

festa estranha com gente esquisita

Em que pese a qualidade artesanal e artística de alguns dos filmes concorrentes na 89.ª entrega dos Academy Awards, o conhecido Oscar, o cerimonial neste domingo no Teatro Dolby, em Los Angeles, não fugirá ao desenho protocolar de sempre.
O evento promovido anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é uma festa da maior indústria de cinema do mundo. Uma festa invariavelmente careta, com suas apresentações pirotécnicas e ocas, com seus apresentadores com piadinhas sem graça, com suas estrelas irreconhecíveis em vestidos esquisitos, tudo celebrando um cinema previsível, acomodado, salvo raras exceções de um e outro filmes pretensamente ousados, um e outro cineastas estrategicamente desobedientes aos ditames de uma cinematografia acadêmica e dominante.
Ainda padecemos do constrangimento das traduções simultâneas na transmissão televisa brasileira, e dos comentários equivocadas dos críticos-convidados, e dos convidados-críticos, exceto o Rubens Ewald Filho, uma respeitável enciclopédia ambulante, e o nosso saudoso José Wilker. Este, sim, assistia a todos os filmes.
Na foto acima, Orson Welles, que só ganhou um Oscar em toda sua ótima filmografia: pelo roteiro de Cidadão Kane, em 1941. Perdeu Melhor Filme para Como era verde o meu vale (muito sintomático!), de John Ford, e ator para Gary Cooper em Sargento York (mais sintomático ainda para o bélico público americano).
O cineasta brasileiro Murilo Salles, definiu bem ao dizer que "Oscar não é merecimento - é indústria. Oscar é a maior propaganda grátis de Hollywood: tem ótimo custo-benefício. Os Estados Unidos dominam o mundo não à toa."
As invasões bárbaras norte-americanas são somente bélicas: são também culturais.

Nenhum comentário: