segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

há tantas violetas velhas sem um colibri...*

A capa do livro do escritor paulista Matheus Arcaro, Violeta velha e outras flores, editora Patuá, 2014, sugere um conteúdo denso, um âmago de dureza e desencanto. E tem, sim. Em seus 22 contos há um encontro do leitor com “aquilo que não queremos ver”, como apontou a escritora e professora de Letras da PUC, Bruna Gonçalves.
Mas a realidade com suas inquietações e incertezas, que tendemos muitas vezes a empurrar para debaixo do tapete dos dias, tem na escrita de Arcaro uma narrativa que flui com delicadeza, um torpor que nos faz encarar o verossímil com firmeza. Essa é a beleza da literatura, o fascínio da arte: mostrar no espelho o nosso rosto, refletir luz para que possamos furar a escuridão da sala, estender na rua, espalhar no mundo.

Graduado em Comunicação Social, professor de Filosofia e Sociologia, artista plástico, o jovem escritor de 32 anos tem em seu livro de estreia um dos melhores exemplares da literatura brasileira contemporânea.
Há momentos na vida em que ela é esperança. Depois da leitura nosso olhar leva o colibri à janela para rejuvenescer as violetas.
*verso da canção Chão de giz, de Zé Ramalho, 1978.

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