domingo, 26 de fevereiro de 2017

a que será que se destina

O grande Machado de Assis em seu penúltimo livro Esaú e Jacó, publicado em 1904, diz através do personagem Conselheiro Alves, que “não se luta contra o destino; o melhor é deixar que nos pegue pelos cabelos e nos arraste até onde queira alçar-nos ou despenhar-nos.”
Uma sentença simetricamente ligada à anuência poética de Paulo Leminski ao deliberar que “não discuto / com o destino / o que pintar / em assino”, publicado em Caprichos e relaxos, 1983.
Nem Machado se dilacera em fatalismo sistemático de um século, nem Leminski de pessimismo de um tempo que não se sabe a que será que se destina.
O parecer e veredito se insuflam e instigam mais para uma postura filosófica no “sentido agudo do relativo”, como muito bem observou o crítico Alfredo Bosi em seu livro “História Concisa da Literatura Brasileira”, 1994.
O romancista e cronista da vida do século 19 e o poeta minimalista bashôniano do século 20, dialogam à beira do abismo sobre antimetafísica do ceticismo e a moral da indiferença.

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