quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ligações perigosas

Bertrand Duarte e Marcelo Praddo em Quarteto, montagem de Teatro Nu, da Bahia, estreia no Festival Cena Contemporânea 2015, em apresentação no Teatro Sesc Garagem, Brasília.

Com direção de Gil Vicente Tavares, a peça faz uma ousada adaptação do ótimo texto de Heiner Muller, que por sua vez inspirou-se em Les liaisons dangereuses, curioso romance epistolar do século XVIII, da autoria de Choderlos de Laclos.

Assim como essa obra retrata as relações de um grupo de ociosos aristocratas, através das cartas trocadas um pouco antes da Revolução Francesa, o enredo da peça focaliza os personagens Visconde de Valmont e Marquesa de Merteuil, ágeis manipuladores de intrigas e jogos de sedução em si.

O cineasta francês Roger Vadim realizou a primeira versão para o cinema, em 1959, As ligações amorosas (Les liaisons dangereuses), com Jeanne Moreau e Gérard Philipe.

A mais conhecida adaptação para as telas é a do britânico Stephen Frears, Ligações perigosas (Dangerous liaisons), em 1988, com Glenn Close e John Malkovich nos papeis centrais. 

O interessante, e raro no cinema, é que o cineasta checo Milos Forman fez sua versão logo no ano seguinte, em Valmont, com Colin Firth e Meg Tilly interpretando os nobres franceses. O filme, apesar das qualidades na adaptação e direção, não teve a repercussão esperada, ainda ofuscado pela produção de Frears, premiada com Oscar, e, sobretudo, pela ótima atuação do sempre ótimo Malkovich.

Em Quarteto os atores baianos se revezam em quatro personagens da trama, tornando o desafio cênico como uma das propostas do grupo Teatro Nu. Com um cenário praticamente "desnudo" de objetos, a concepção precisa de iluminação de Eduardo Tudella, em perfeita pontuação narrativa, divide o tempo, local e drama dos protagonistas. Bertrand e Praddo se garantem, e muito à vontade nessa peleja, se movimentam com magnetismo em seus papeis.

Não por acaso e artimanhas dos deuses, hoje é comemorado Dia do Ator. Parabéns a vocês, que nos encantam com a multiplicidade humana.

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