terça-feira, 25 de agosto de 2015

detalhes importantes

  Foto de Irving Penn, 1965

O Oscar concedido a Philip Seymour Hoffman, em 2005, por seu papel como Truman Capote no filme dirigido pelo estreante Bennett Miller, foi parte do interesse surgido nos Estados Unidos por um autor que nunca esteve tão na moda desde que morreu, há 31 anos hoje.

Além do filme Capote, a onda incluiu a estreia, no ano seguinte, de outro longa-metragem, Infamous, de Douglas McGrath , a publicação de vários livros e até mesmo a recriação das célebres festas que organizava o considerado precursor do "novo jornalismo".

Com a máxima de que "os detalhes revelam melhor do que nada as coisas importantes", Capote podia começar uma crônica judicial centrando a atenção do leitor no brilho da aliança do juiz ao invés de informar diretamente sobre a sentença.

Esse tipo de recurso foi empregado depois por autores tão conhecidos como Norman Mailer e Tom Wolfe, que, como Truman Capote, elevaram o jornalismo à categoria de literatura.

No entanto, sua influência e o êxito de novelas como A sangue frio e Bonequinha de luxo - ambas levadas ao cinema, respectivamente em 1967, por Richard Brooks, e 1961, por Blake Edwards - não impediram que Truman Capote morresse, aos 60 anos, sob crítica de seus colegas, esquecido por seus amigos e quase submerso no anonimato.

Sua homossexualidade e o abuso de álcool e drogas não o ajudaram, sobretudo durante seus últimos anos, a lavrar uma boa fama em alguns setores.

Capote recuperou, porém, o protagonismo que, segundo confessava, sempre perseguiu na vida, e conquistou em alguns momentos de sua existência, com ao menos dois filmes e publicações de plena atualidade nos dias de hoje.

A mesmice da grande Idade Mídia deve ter percebido os detalhes de Capote.

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