quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

única


cena de Bonitinha, mas ordinária, de J. P. Carvalho, 1963
"Bem que quiseram transformá-la em Jeanne Moreau brasileira. Bobagem. Odete Lara é única. Sem comparações. Um mistério que nunca foi desvendado. Uma explosão de feminilidade no cinema, um olhar penetrante e uma voz inesquecível. Essa voz, por sinal, garantiu a melhor gravação dos afro-sambas de Baden e Vinicius. A história de Odete Lara sempre vai se confundir com a histórias das artes no Brasil. Pensando bem, Jeanne Moreau é que é a Odete Lara francesa."

Esse texto, lúcido, verdadeiro, é do jornalista Artur Xexéo, no catálogo da mostra de filmes "Odete Lara, atriz de cinema", apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, Brasília, em 2011.

Na abertura do evento, após a exibição de um dos filmes, cruzei com a atriz no estacionamento, conversando com outros mortais, numa aura de simplicidade que me encantou. Por um instante, tive vontade de me aproximar e pedir um autógrafo no catálogo. Não somente a minha extrema dificuldade pra esse tipo abordagem me fez recuar, preferi manter a distância do mito, não desconstruir o elo lendário com uma das minhas musas.

Odete Lara partiu hoje, aos 85 anos. Eternamente musa.

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