segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Chico Science dizia que com um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar. E nada mais ficou como antes no mangue do Capibaribe depois de seu beat acelerado, juntando no mesmo ritmo e percussão, o pop, o hip hop, o eletrônico, o rock, o baião, o coco e a embolada, o samba e o maracatu, "bom pra mim e bom pra tu", as raízes da cultura nordestina, trazendo da lama ao caos e do caos à lama o seu manifesto de caranguejos com cérebro.

A primeira vez que ouvi Chico Science, lá no começo dos anos 90, foi através de Franklin Júnior, cineasta pernambucano, da equipe de produção de Corisco e Dadá, filme de Rosemberg Cariry, onde fiz assistência de direção. Mostrou-me uma fita k-7 e não parava de falar entusiasmado com a novidade de seu Recife. Fui à Nação Zumbi e não parei mais de ouvir a afrociberdelia desse moço com seu chapéu coco e enormes óculos escuros.

Hoje, 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, a quem peço as bênçãos neste meu mês aquariano, faz 18 anos que tinha um poste no meio do caminho de Chico Science. Cara, você só tinha 30 anos! Sua máxima, Chico, vai na contramão da nossa saudade: você está no mesmo lugar dentro de nós que continuamos com sua música.

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