sábado, 14 de fevereiro de 2015

fish are jumping out

Em fevereiro de 1970, Janis Joplin desembarcou no Rio de Janeiro, para passar uns dias de férias, curtir o sol de Copacabana. Na verdade, a cantora tentava dar um tempo do seu veneno anti monotonia, fazer uma espécie de "rehab" no sol do lado de baixo do Equador, onde supostamente não há pecado.

Que nada. Era mês "summertime", e pleno carnaval. Foi difícil para Janis ficar indiferente a tanta folia e animação "exótica". Foi ciceroneada pelo fotógrafo Ricky Ferreira,
e que lhe hospedou no apartamento quarto-e-sala em que morava, ao encontrá-la vagando e chorando pela areia da praia, depois que fora expulsa do Copacabana Palace por nadar nua na piscina. Acompanhada ainda por sua figurinista, a comissão de frente das farras, incluía um namoradinho americano que encontrou no calçadão de Copa, e mandou ver em todos os passeios que lhe levavam. Não dispensou nada.

Notívaga assumida e baladeira confesso, começaram a farra numa boate fuleira no final da av. Atlântida, um local frequentado por prostitutas, marinheiros e maconheiros cantando Kosmic blues. Dá de cara com o cantor Serguei, que conhecera nos Estados Unidos em 1968, e que nunca comeu Janis, o máximo que rolou foi fumar um unzinho juntos na Praia da Macumba, quando fez topless numa boa, e pagou caro com as costas cheias de bolhas pelo solzão carioca.

Naquela época tinha uma boate da moda, no final do Leme, adequadamente chamada Porão 73. O gerente quase barrou a cantora de "Mercedes Benz", apesar do copo de vodca na mão, achando que fosse uma das raras mendigas que rondavam por ali. Janis, com sua interpretação visceral, foi lá e cantou Ball and chain, deixando os mortais presentes em êxtase, entre eles o BR-3 Tony Tornado e... Alcione! O que é que a "Marrom" estava fazendo naquele inferninho?

Incansável, e às vezes imprevisível nas atitudes pela sua bipolaridade, Janis Joplin foi a um baile de carnaval do Theatro Municipal, e por causa das roupas coloridas e as axilas peludas, foi confundida como travesti pelos foliões do "ô abre alas, que eu quero passar". Assistiu aos desfiles das escolas de samba na Candelária, e numa entrevista quis saber sobre uma tal cantora chamada "Girl" Costa. Depois pegou uma moto com o seu boyfriend e se mandaram feito Dennis Hopper, Peter Fonda e Jack Nicholson, em Easy Rider, para a praia de Arembepe, na Bahia, onde uma comunidade hippie vinda de Woodstock tinha um bagulho do bom.



A meteórica passagem de Janis Joplin no Brasil é inesquecível por muitos que tiveram a oportunidade - histórica - de acompanhá-la. Todos afirmam que a intensidade em tudo que a cantora fazia, entre maços de cigarros e goles de vodka, escondia uma mulher amargurada, que não dava a mínima para dinheiro e salamaleques que hoje essas babaquinhas da música pop se impõem com exigências de toalhinhas finas, frutinhas destiladas, papel higiênico florido e água Perrier no camarim.

O anfitrião Rickky Ferreira prepara um documentário Janis Joplin — o último carnaval, narrando os fatos (e fotos) que viveu a lenda do rock. 

Oito meses depois, quando gravava o álbum Pearl, seu empresário a encontrou morta em um quarto de hotel, em Los Angeles.

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