terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

o último voo

"Cerveja que tomo hoje é apenas em memória / dos tempos da Panair / a primeira Coca-Cola foi me lembro bem agora / nas asas da Panair / a maior das maravilhas foi voando sobre o mundo / nas asas da Panair..."

Trecho de Conversando no Bar - (Saudade dos Aviões da Panair), composição de Milton Nascimento, letra de Fernando Brant, de 1974, eternizada nas voz de Elis Regina e do próprio Bituca.

A Panair, abreviatura de PAN American AIRrways, foi uma das companhias aéreas pioneiras no Brasil, extinta pelo governo militar, exatamente há 50 anos, num 10 de fevereiro violento, cheio de arbitrariedades. A história da Panair é longa e complicada. Sabe que a VARIG era a grande interessada em tomar conta dos céus do país. Ruben Berta, proprietário da empresa gaúcha, era apoiador do regime e amigo pessoal de diversos militares de alta patente. Creditam o fim da Panair a João Goulart, quando, na verdade, ele tentou para que as ações da empresa americana ficassem em mãos brasileiras, uma vez que o setor de aviação era dominado por sócios estrangeiros. O que governo militar fez foi aproveitar a "deixa" e favorecer a VARIG por motivos óbvios. Há um ótimo documentário, Panair do Brasil, de Marco Altberg, 2009, que detalha o assunto.

A canção de Milton é. Há um ar de melancolia, languidez, saudade. Por motivos óbvios, também.

Nenhum comentário: