terça-feira, 31 de janeiro de 2006

homenagem ao "embaixador"


Durante 35 anos Cosme Alves Netto esteve à frente da Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, como diretor e curador geral, dedicando-se a preservação da memória cinematográfica bem como a sua divulgação. Desempenhou um papel importantíssimo na história da instituição, atuando também como uma espécie de “embaixador” informal do cinema latino-americano, tanto no Brasil como no exterior.

A Cinemateca presta uma homenagem a Cosme, a partir de quinta-feira, dia 2, quando completam-se dez anos de sua morte.

As mostras que programava na Cinemateca, serviram para formar algumas gerações de cinéfilos, críticos e cineastas, com filmes de cinematografias raras por aqui, como os do leste europeu, América Latina, União Soviética, China, e tantos outros clássicos da história do cinema. Foi também um dos mentores da geração Paisandu.

Uma personalidade de reconhecimento internacional, ajudou a salvar alguns filmes na época da ditadura militar, como por exemplo, “Cabra Marcado para morrer”, de Eduardo Coutinho.
A homenagem traz alguns de seus filmes prediletos, um programa de animação, outro gênero que lhe era caro, e dois filmes nos quais trabalhou como ator em participações especialíssimas e afetivas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

prêmios para o jardineiro

Fernando Meirells (D) dirige Ralph Fiennes e Rachel Weisz em "O jardineiro fiel"

O longa "O jardineiro fiel" (The constant gardener), dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, foi escolhido o melhor filme no 33.º Evening Standard British Film Awards, concedido às melhores produções do cinema da Grã-Bretanha. Ralph Fiennes foi eleito melhor ator por seu personagem no filme, adaptado do romance de John le Carré. Os prêmios são os últimos concedidos à obra de Meirelles, que já recebeu dez indicações para o prêmio da Academia Britânica, o Bafta, e será entregue em 19 de fevereiro.

Nesta terça-feira, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciará os candidatos à 78.ª edição do Oscar. O longa de Meirelles está entre os favoritos a receberem uma indicação ao prêmio de melhor filme, ao lado de "O segredo de Brokeback Mountain", de Ang Lee, vencedor do Globo de Ouro.

Acredita-se que 2006 será o ano do cinema independente com tema político ou, pelo menos, com consciência social. "O jardineiro fiel" mostra a exploração de países africanos pela indústria farmacêutica, que usa populações como cobaias. O filme de Ang Lee é baseado em uma narração de Annie Proulx sobre a impossibilidade de dois rudes cowboys demonstrarem seu amor homossexual com liberdade diante das pressões sociais da época.

Meirelles, que já foi indicado ao Oscar de melhor direção por "Cidade de Deus" em 2004, concorreu nesta categoria do Globo de Ouro por seu novo filme e também pode estar entre os indicados ao prêmio da Academia. A atriz Rachel Weisz, estrela do longa, no papel da mulher de Ralph Fiennes, foi premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante.

domingo, 29 de janeiro de 2006

"arte contemporânea"

foto Poldo

"A maioria dos artistas chamados de 'contemporâneos' caiu na armadilha que eles mesmos prepararam. Claro que alguns estão faturando bem os paradoxos. Há uma série de falácias em torno de certa arte em nossos dias. Primeiro, que tudo é arte, que todos são artistas. Segundo: não-arte e/ou antiarte é igual a arte. Terceiro: negar a aura do museu e da galeria para entrar no museu e na galeria. Quarto: achar que só existe arte onde há transgressão e que transgressão por si mesma é arte. Quinto: dizer que a cópia é igual ou melhor que o original, que o original é descobrir uma coisa nova para copiar. Sexto: o efeito, o escândalo, a notícia sobre a obra é mais importante que a obra. Sétimo: a obra tem que causar 'mal-estar'."


Trecho da crônica de Affonso Romano de Sant'anna, no Correio Braziliense de hoje, a propósito da polêmica causada pelo artista plástico cearense Yuri Firmeza, que pregou uma peça no Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, fazendo-se passar por um artista japonês, anunciando uma exposição que não aconteceu, inventando entrevistas, currículo, considerações teóricas, etc etc etc.

Nas observações do cronista sobre "arte contemporânea" dá muito bem para incluir o cinema. Há muitos "yuris" nos pregando peças com filmes que "acontecem"...

sábado, 28 de janeiro de 2006

rito de passagem



"A boa performance do cinema brasileiro em 2005 reflete o direcionamento das políticas públicas para o aumento e diversidade da produção e para a ampliação da presença dos nossos filmes no mercado nacional. Cerca de 12 milhões de espectadores acorreram a filmes nacionais, que ocuparam 14% do mercado, o maior percentual da América Latina e da maioria dos países da Europa e da Ásia. Tanto no aspecto da quantidade e do comportamento mercadológico (como provam os números), como no da qualidade (como afirmam a crítica e os cinéfilos), o cinema brasileiro vive o seu melhor momento nos últimos 25 anos.

As políticas públicas iniciadas pelo ministro Gilberto Gil em 2003 (reorientação de investimentos, aumento substancial de recursos, valorização das expressões artísticas e produtivas regionais, maior operacionalização dos mecanismos da renúncia fiscal) desencadearam um processo de renovação e crescimento do nosso mercado, com a inserção de novos agentes internos e externos. A concepção dessas políticas levou em consideração demanda histórica do setor, ao criar mecanismos de fomento e regulação focados na promoção do produto nacional em suas diversas expressões e formatos.

Duas linhas operacionais integram-se nessas políticas: ações de caráter estrutural visando o ordenamento da cadeia produtiva e comercial de maneira sustentável a longo prazo e ações de fomento direto. Na primeira linha listam-se o alargamento das bases de aplicação das leis de incentivo, aumento e planificação estratégica dos investimentos das empresas estatais, desenvolvimento de novos mecanismos de financiamento da atividade, aparelhamento eficaz da Ancine para fiscalização e cobrança nas mídias dedistribuição.

Na segunda linha, o fomento direto caracteriza-se pela descentralização de investimentos, através de editais que valorizam a diversidade seja no âmbito da regionalização, seja no tocante aos distintos gêneros e formatos e aos diversos segmentos da cadeia de produção e consumo cultural. O desdobramentodesta atuação estende-se aos programas da área internacional, desenvolvidos bilateralmente e multilateralmente.

O conjunto articulado dessas ações resulta no aquecimento do mercado, na possibilitação do lançamento de 51 filmes nacionais em 2005 e na listagem, pela Ancine, de mais de 60 lançamentos para 2006. Na perspectiva da política que está sendo executada, ainda há muito que fazer, mas o viço das primeirasflores mostra que o jardim está bem cultivado. Trata-se de um programa impulsionado pela necessidade de reordenação da economia audiovisual brasileira frente aos novos parâmetros planetários: novas tecnologias, novos veículos de difusão, convergências tecnológica e empresarial, hegemonias e o peso do audiovisual no equilíbrio ou desequilíbrio sócio-econômico no interior das nações e nas relações internacionais.

Apesar de contar com aprovação e apoio da grande maioria dos empresários e trabalhadores de cinema, uma política com essa magnitude gera naturalmente temores em áreas conservadoras e confrontos por maiores parcelas do novo mercado que está se conformando em escalas nacional e mundial. Novosparticipantes e novos modelos negociais passam a atuar em um âmbito anteriormente restrito e os atores tradicionais têm de adequar-se á realidade emergente. Uma adequação inteligente, racional e com conhecimento de causa é o que se espera desses atores, para o bem do povo e felicidade geral da Nação."


Orlando Senna, cineasta e Secretário do Audiovisual

relações humanas em campo minado

"Free Zone", de Amos Gitaï

Como ficam as relações humanas diante do conflito Israel-Palestina? No próximo dia 31 de janeiro, às 21h30, a Reserva Cultural (av. Paulista, 900, São Paulo), promove um debate logo após a sessão do filme "Free Zone", de Amos Gitaï. Trata-se de uma discussão, aberta ao público, com a participação do historiador e ativista de movimentos de paz e direitos humanos, Celso Garbarz, do crítico de cinema Christian Petermann, e de Cláudia Costin, vice-presidente da Fundação Victor Civita e ex-secretária Estadual de Cultura de São Paulo. A mediação ficará por conta da cineasta Rachel Monteiro.

A proposta da Reserva Cultural seguindo a narrativa do israelense Gitaï, é discutir as relações humanas diante do conflito na Palestina e ao mesmo tempo as mudanças que estão ocorrendo na região. Nessa obra cinematográfica a questão é abordada pelo ponto de vista das mulheres, que vivem nessas zonas de conflito. "Free Zone", filme premiado em Cannes, estreou em São Paulo no último dia 20.

Este é o segundo debate realizado pela Reserva Cultural, que pretende promover periodicamente esses eventos, proporcionando ao público além de uma seleção criteriosa de filmes, a oportunidade de refletir sobre as obras apresentadas e sobre a realidade. “Os estudos sobre cinema e história vem se multiplicando, e a nossa intenção é dar a oportunidade ao público de interagir e trocar idéias a respeito de obras importantes da sétima arte”, explica o proprietário da Reserva Cultural, Jean-Thomas Bernardini.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

festivais de videoarte

Dois festivais europeus estão selecionando obras para mostras competitivas internacionais de arte eletrônica.
O primeiro é o festival suíço Videoex - International Experimentalfilm & Video, que está recebendo trabalhos em super-8, 16 ou 35 mm, vídeo e mídias interativas até 3 de fevereiro. O festival acontece em Zurique, de 18 a 28 de maio, e a ficha de inscrição e regulamento podem ser acessados na página www.videoex.ch.
Na Grécia, o Athens Video Art Festival chega à segunda edição, com mostras dedicadas à arte digital em mutação. As inscrições vão até 15 de março e o festival acontece em Atenas, de 18 a 21 de abril. Podem concorrer trabalhos nas categorias videoarte, videoinstalação e performance. Os participantes têm a opção de criar obras a partir de temas-chave definidos pelo festival, como liberdade e movimento. A ficha de inscrição e o regulamento encontram-se disponíveis no endereço www.athensvideoartfestival.gr/eng.

concurso de roteiro de documentário



A Fundação Joaquim Nabuco, de Recife, está lançando a terceira edição do concurso de roteiro de documentários. Destinado a realizadores das regiões Norte e Nordeste, contemplará dois projetos que receberão equipamentos (câmera 24q, equipamento de luz, maquinária e som, ilha de edição digital) e equipe (fotógrafo, assistentes, técnico de som direto e editor) e mais R$ 20.000,00 (vinte mil reais).
A comissão julgadora será formada pelo dramaturgo e documentarista Luiz Felipe Botelho (PE), pela diretora de fotografia Maria Pessoa (PE), a produtora Daniella Cappellato (SP), o organizador da Mostra Panorama Internacional Coisa de Cinema Cláudio Marques (BA) e a artista plástica e produtora e Juliana Carapeba (RJ).

Informações e regulamento na página www.fundaj.gov.br

Abel

"O tempo da imagem chegou!"


Cineasta francês Abel Gance (1889-1981), saudando o cinema em 1927.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Leopoldo Nunes na Ancine


O aumento da produção audiovisual brasileira e a ampliação da participação de obras nacionais no mercado doméstico são as prioridades de Leopoldo Nunes da Silva Filho, cuja indicação para o cargo de diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine) recebeu nesta quarta-feira, 25, parecer favorável da Comissão de Educação do Senado Federal. Aprovada por unanimidade, a mensagem presidencial será agora examinada pelo Plenário, em regime de urgência.
A decisão por unanimidade é inédita na história da Comissão. A reunião, programada para sabatinar o candidato, foi presidida pelo senador Gerson Camata (PR) e a relatora, que recomendou a aprovação do nome, foi a senadora Patrícia Gomes (CE). Ao lado do senador Camata e de Leopoldo, participaram da mesa Juca Ferreira (ministro interino da Cultura), Gustavo Dahl, Orlando Senna e Manoel Rangel.


O paulista Leopoldo Nunes, 37 anos, chefe de gabinete da Secretaria do Audiovisual, tem uma longa história de militância nas categorias de base do cinema brasileiro, com duas passagens pela Associação de Documentaristas de São Paulo (ABD-SP) e outras duas pela ABD nacional. Nessas duas instituições, implementou-se um intenso programa de incentivo à produção de documentários e curtas-metragens que se tornou berço de uma infinidade de cineastas.


Um de seus curtas mais conhecidos é "A lata", ficção, Prêmio Especial do Júri e Prêmio Andi-Cinema pela Infância no Festival de Brasília de 2003. Neste mesmo festival, ano passado, exibiu na noite de encerramento o longa "O profeta das águas", documentário.

Chris Penn, ator

Chris Penn em "O preço da traição" (Mulholland Falls), de Lee Tamahori


O ator Chris Penn, irmão mais novo de Sean Penn, foi encontrado morto nesta terça-feira em um apartamento de Santa Monica, em Los Angeles . Ainda não se sabe a causa da morte, mas não há sinais de agressão, de acordo com as fontes.

Penn, de 43 anos, participou de dezenas de filmes, dos mais variados gêneros, como o musical "Footloose" (Footloose), de Herbert Ross, 1984, o western "O cavaleiro solitário" (Pale rider), de Clint Eastwood, 1985, o policial ambientado na Los Angeles dos anos 50 "O preço da traição" (Mulholland Fales), de Lee Tamahori, 1996. Por sua interpretação em "The Funeral", de Abel Ferrara, foi indicado ao Oscar de melhor ator em 1992. Dois anos depois esteve sob direção do brasileiro Bruno Barreto em "Entre o dever e a amizade" (One Tough cop). Contracenou com o irmão Sean em "Homens à queima-roupa" (At close range), de James Foley, 1986.
Um de seus papéis mais conhecidos é o criminoso Nice Guy Eddie Cabot em "Cães de aluguel" (Reservoir dogs), 1992, o primeiro cult de Quentin Tarantino.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

DocTV ibero-americano


Representantes da Secretaria Executiva da Cinematografia Ibero-americana (SECI) e das TVs Públicas dos 15 países integrantes do I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Ibero-americano – DocTV IB estão reunidos em Brasília, de hoje a 25 de janeiro. Participam de uma oficina de planejamento realizada na Academia de Tênis Resort. O encontro, coordenado pelo secretário do Audiovisual do MinC, Orlando Senna, tem como objetivo preparar a realização dos 15 concursos nacionais DocTV IB, cujos lançamentos estão previstos para o dia 1° de março, simultaneamente nos países participantes. O Programa premiará os melhores projetos de documentário com contratos de co-produção no valor de US$ 100 mil.

Realizado em parceria com a Conferência de Autoridades Audiovisuais e Cinematográficas de Ibero-américa (CAACI), sob coordenação executiva da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura do Brasil, o DocTV IB conta com a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Panamá, Peru, Porto Rico, Portugal, Uruguai Venezuela. Os documentários da carteira DocTV IB estrearão num circuito ibero-americano de teledifusão composto por emissoras públicas.

O DocTV IB é um desdobramento do Programa DocTV brasileiro, que inaugura sua terceira edição por meio de parceria entre a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, TV Cultura e ABEPEC, com o apoio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), e caminha rumo à concretização de seus grandes objetivos: o estímulo ao intercâmbio cultural e econômico entre os povos ibero-americanos, a implantação de políticas públicas integradas de fomento à produção e teledifusão de documentários nos países da região, e a difusão da produção cultural dos povos ibero-americanos no mercado mundial.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Bressane


"O cinema faz fronteira com todas as artes e com quase todas as ciências. É possível identificar elementos cinematográficos em Machado de Assis e Antonio Vieira."
Júlio Bressane

sábado, 21 de janeiro de 2006

o olhar dos críticos cariocas

"Ninguém pode saber" (Dare mo shinarai), de Hirokazu Kore-eda, Japão, 2004


Como faz tradicionalmente há duas décadas, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) elegeu os 10 melhores filmes entre as centenas de títulos lançados comercialmente no Rio em 2005. De 24 de janeiro a 5 de fevereiro, o público carioca terá a chance de ver ou rever essas preciosidades na mostra “Melhores do Ano – ACCRJ”, que acontece na sala de cinema do CCBB-Rio. A mostra, que tem o Centro Cultural Banco do Brasil pelo segundo ano como patrocinador e realizador, promete repetir o sucesso da primeira edição, com salas completamente lotadas e senhas esgotadas com antecedência.

Ao longo de duas semanas, o espectador poderá conferir dez produções cinematográficas eleitas pelos críticos da ACCRJ. Muitas delas, lançadas com poucas cópias, não ficaram em cartaz tempo suficiente para que atingissem o público merecido. Dentre esses filmes, está a obra-prima "Ninguém pode saber" (Dare mo shinarai), produção japonesa do cineasta Hirokazu Kore-Eda, eleito pela Associação o melhor filme de 2005. Da produção européia foram selecionados os filmes "Bom dia, noite" (Buongiorno, notte), do italiano Marco Bellochio, e o português "Um filme falado", de Manoel de Oliveira. O cinema americano está representado pelos filmes "Menina de ouro" (Million dollar baby), de Clint Eastwood, a animação "A noiva cadáver" (Corpse bride) e o fantasioso "A fantástica fábrica de chocolate" (Charlie and the chocolate factory), ambos de Tim Burton. Juntando-se a lista, estão dois cineastas que sabem misturar como ninguém violência, polêmica e ótimas imagens: o sul-coreano Chan-wook Park, com "Old Boy", e o canadense David Cronenberg, com "Marcas da violência" (A history of violence). Dois filmes nacionais estão entre os 10 melhores de 2005: "Cidade Baixa", de Sérgio Machado, e "Cinema, aspirinas e urubus", de Marcelo Gomes, cineastas estreantes em longas de ficção.


Para refletir sobre a temática dos filmes selecionados, algumas sessões são seguidas de debates com críticos e convidados. O deputado federal Fernando Gabeira, os cineastas Domingos Oliveira, Sérgio Machado e Allan Sieber, além do escritor Sergio Sant´Anna e o psicanalista Luiz Fernando Gallego, dividirão a mesa debatedora com alguns dos críticos da ACCRJ, como Marcelo Janot, Rodrigo Fonseca, Alexandre Werneck, Carlos Alberto Mattos, Daniel Schenker Wajnberg, João Luiz Vieira, Hugo Sukman, Marcelo Moutinho, Leonardo Ferreira, João Marcelo Mattos, Mario Abbade, Gilberto Silva Junior e Tony Tramell.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

curso de roteiro


A União Latina e El Cabildo, do Centro Cultural da República Paraguaia, com a colaboração da Embaixada da França naquele país, e mais a participação da Diretoria Nacional do Audiovisual e da Diretoria de Relações Culturais do Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, todos esses orgãos uniram-se numa só causa: oferecer a 20 jovens cineastas de países vizinhos a oportunidade de participar de um curso sobre escrita de roteiro cinematográfico em Assunção, de 2 a 6 de maio de 2006. Do Brasil, Chile e Uruguai serão escolhidos 4 de cada país, e os 8 restantes, claro, serão paraguaios.


Há uns requisitos para quem está empolgado com a notícia: os candidatos deverão ter entre 22 e 35 anos, escrever um texto (em espanhol!) explicando as razões do interesse pelo curso e detalhando a experiência que possui na área de roteiro. É necessário não ter sido beneficiado anteriormente de cursos de formação oferecidos pela União Latina. E claro, ter um bom conhecimento do idioma.

Nas inscrições que serão recebidas até 10 de março próximo, deverão constar: nome, sobrenome, endereço completo, telefones, fax e endereço eletrônico. O Currículo. Uma tal Carta de Motivação. Cópia digitalizada de documento de identidade ou passaporte. Cópia digitalizada de documentos que possam ser úteis à candidatura, tais como diplomas, certificados, documentos oficiais, roteiro representativo. E, por fim, uma cópia digitalizada de uma fotinha 3x4.

Durante o período os organizadores assumem as despesas do curso e da estada, ou seja, a hospedagem e diárias. Mas os candidatos selecionados assumem os custos da viagem de ida e volta à Assunção, taxas do aeroporto e alfandegárias, excesso de bagagem e outros gastos.
O interessante no release distribuído é que "os organizadores não se responsabilizam por riscos e danos materiais, ou corporais, de que possam ser vítimas os participantes, desde sua partida até o regresso a seus domicílios." É bom ficar atento...

Bem, maiores informações e regulamento:
Escritório da União Latina no Brasil
Audiovisual - Diretoria de Cultura e Comunicação

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Breno Silveira premiado


O diretor Breno Silveira recebeu no último dia 16, do Festival de Palm Springs, o prêmio John Schleisinger Award for Outstanding First Feature pelo trabalho em “2 Filhos de Francisco”. Segundo o release oficial do evento, “o prêmio é conferido a um diretor estreante, cujo filme de ficção ou documentário representa particularidades distintas e a promessa de uma grande carreira para o cineasta”.
O Festival de Palm Springs é considerado a principal vitrine para os longas-metragens que concorrem à indicação de Filme Estrangeiro no Oscar, cujo anúncio será feito no próximo dia 31. O diretor de programação do festival, Carl Spence, não poupa elogios ao diretor e ao filme. “Breno Silveira é um prestigiado fotógrafo de cinema que, de maneira grandiosa, fez um longa-metragem de estréia irretocável, comovente e esteticamente incrível. Nossa esperança é de que, com este prêmio, ‘2 Filhos de Francisco’ receba a atenção e a aprovação da crítica que merece na América do Norte. O Festival anseia para assistir à continuidade da carreira de Silveira como um grande cineasta emergente”.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Mostra de Cinema de Tiradentes

Rosanne Holland em "A Concepção", longa brasiliense de José Eduardo Belmonte, na Mostra em Tiradentes

A programação da 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes apresentará ao público o que será o cinema de 2006 em longa, curta e vídeo em 47 sessões. O evento amplia sua programação e reflete o belo momento do audiovisual brasileiro. “A pluralidade de linguagens e temáticas e a diversidade regional determinam a tonalidade da programação”, afirma Raquel Hallak, coordenadora da Mostra.

A Mostra exibirá um número recorde de produções, com 173 trabalhos, entre os dias 20 e 28 de janeiro, divididos em 24 longas-metragens, 60 curtas-metragens e 89 vídeos.

Como em todas as edições anteriores da Mostra, os longas-metragens da programação são inéditos no circuito comercial. Este ano, o público poderá conferir o melhor da novíssima safra do nosso cinema, com alguns filmes já consagrados antes da sua estréia no mercado, ao lado de pré-estréias que terão na Mostra a sua primeira exibição. Esta edição traz muitos filmes de diretores iniciantes (Gustavo Acioli, Roberto Bontempo, João Falcão) que se somam a trabalhos de diretores consagrados, como Ruy Guerra, homenageado do evento.

A programação de longas traz destaques como “Eu me Lembro”, do baiano Edgard Navarro, grande vencedor do último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, levando sete troféus, entre eles, melhor filme, melhor diretor , melhor roteiro e melhor longa segundo a crítica. O filme é um relicário de memórias do diretor, que tem como pano de fundo o Brasil da década de 40 até os anos 70.

Exibirá os filmes “A Concepção”, de José Eduardo Belmonte (DF), e “Os incuráveis” (RJ), de Gustavo Acioli, ambos também exibidos na mostra competitiva em Brasília. “A concepção” é uma viagem existencial provocada por experiências alucinógenas, que buscam a negação do eu, entre um grupo de jovens. “Os incuráveis” é a adaptação da peça “A dama da lapa”, dirigido e roteirizado por Acioli. O filme fala sobre um casal (Fernando Eiras e Dira Paes) que vive uma noite reveladora em uma boate da Lapa, zona boêmia do Rio de Janeiro.

Será exibido também “Crime Delicado”, o mais novo longa do diretor paulista Beto Brant. O filme é uma belíssima sucessão de quadros fixos, que dialoga com as artes plásticas e o teatro. “Crime Delicado” deu o prêmio de melhor diretor a Beto Brant no último Festival do Rio.

A Mostra apresentará em primeira mão, o aguardado documentário “Serras da Desordem”, de Andréa Tonacci. O filme reconstrói a história do índio Carapiru, remanescente da tribo dos Guajá, que atravessa o Brasil central em uma caminhada de mais de dois mil quilômetros. São personagens verdadeiros de uma história original.

Tonacci é um dos mais interessantes realizadores de documentários no Brasil, vindo da tradição do cinema experimental na década de 60, quando realizou o já mitológico “Bang Bang” (1971), um dos melhores trabalhos da época. Tonacci encontrou no documentário etnográfico o caminho para a realização de belos filmes e foi pioneiro na introdução do vídeo no Brasil como registro documental.

O diretor escolheu a Mostra como palco para a primeira exibição do seu trabalho, realizado depois de um longo hiato sem filmar (mais de duas décadas). Além de diretor, Tonacci, nascido ne Itália em 1944, no Brasil deste 1953, é também diretor de arte de filmes importantíssimos, como “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla.

Outra pré-estréia da programação é o longa “Mulheres do Brasil”, de Malu De Martino. O filme é uma ficção narrada em episódios, que conta a história de mulheres de classes sociais e regiões diferentes do país.

A programação exibe ainda as experiências poético-documentais, “Aboio”, da mineira Marília Rocha, e “Morro da Conceição”, da carioca Cristiana Grumbach.

Será apresentado também o aguardado “A Máquina”, estréia nos longas-metragens do diretor de teatro João Falcão.

A programação de curtas-metragnes abre com um desafio para o público, com a série “Curta a experiência”, que reúne os trabalhos que dialogam com o experimentalismo e a quebra da narrativa linear. Filmes como “Dormente”, de Joel Pizzini, é um exemplo. O diretor vem conduzindo o seu cinema pelo caminho da poesia e do experimentalismo. Nesse trabalho ele levou para o cinema um vídeo-instalação realizado inicialmente para a Bienal de São Paulo, na qual ele retrata a projeção de uma luz conduzida por um trem, sobre a cidade de São Paulo. Destaque para a belíssima trilha canção original de Itamar Assunção.
Serão exibidos, entre outros filmes, dois trabalhos realizados pelos herdeiros diretos da sensibilidade de Glauber Rocha, “Medula”, de Eryk Rocha e Tunga e “Dramática”, de Ava Gaitán Rocha.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

BerlinBall

A diretora Anna Azevedo e o fotógrafo Walter Carvalho durante as filmagens de "BerlinBall"

"BerlinBall", da cineasta carioca Anna Azevedo, é o primeiro filme brasileiro a participar da mostra competitiva para novos diretores Berlin Today Award, do Festival Internacional de Cinema de Berlim, 56ª. Berlinale, de 9 de 19 de fevereiro, na Alemanha.

Trata-se de um documentário de curta-metragem que mergulha no universo onírico dos meninos de Campina Grande (PB), que sonham em jogar futebol em Berlim, seguindo os passos do ídolo da cidade, o centro-avante Marcelinho Paraíba, estrela do Hertha BSB Berlim e eleito o melhor jogador da temporada 2005 do campeonato alemão.

"BerlinBall" foi filmado em Campina Grande e em Berlim e a fotografia é assinada por Walter Carvalho. A edição e a finalização foram feitas na capital alemã. A trilha sonora é das brasileiras radicadas em Berlim Marie Leão, Renata Erri e Neide Alves, as Goal Vibes. E ainda tem faixa de Herbert Lucena, de Recife.

A estréia mundial do filme será dia 11 de fevereiro, às 17 horas (horário local), na Hauss der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo), sede do Talent Campus da Berlinale.

"BerlinBall" compete com outros dois filmes: a animação "If you need me", de Darija Adovska (Macedônia) e Mladen Djukic (Bósnia Herzegovinia) e "Under these wings", de Harrie Verbeek, da Holanda.

Os filmes em competição têm, obrigatoriamente, que se inspirar em Berlim. Apenas diretores que participam do Talent Campus podem submeter roteiros. Este ano, o BTA recebeu 180 roteiros de 41 países. A primeira seleção levou 10 diretores para um workshop de produção e roteiro, em Berlim, ao fim do qual apenas 3 projetos foram selecionados e produzidos com recursos da indústria cinematográfica berlinense.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

fellinianas


"O único realista de verdade é o visionário"
(Federico Fellini, 1920-1993)

recursos públicos em série

A série "Avassaladoras", que a Record estréia no dia 27, custou R$ 3,2 milhões e foi produzida com recursos públicos. Inédita, a operação deverá se tornar uma tendência dentre as redes de TV.
A Record, uma concessão pública, não poderia se utilizar diretamente desse tipo de financiamento. O negócio só se tornou viável - e legal - porque a rede se associou a uma produtora independente nacional, a Total Entertainment (do Rio), e a um canal estrangeiro, a Fox, da TV paga.
Foram dois os mecanismos: R$ 3 milhões pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) - que dá benefícios fiscais a distribuidores de cinema e canais estrangeiros que investem em audiovisual nacional - e R$ 200 mil pela Lei Rouanet - por meio da qual empresas deduzem do Imposto de Renda o investimento em cultura.
Entrevistados pela Folha defendem a abertura da Record à produção independente e o uso de verba pública na série. Mas questionam o fato de uma TV aberta comercial, que já é uma concessão pública, ser indiretamente beneficiada sem oferecer "contrapartidas". Deveria ter a obrigação de reservar parte da programação a independentes, além de pagar taxas para financiar o mercado audiovisual, na opinião de Assunção Hernandez, representante brasileira da Federação Ibero-Americana de Produtores de Cinema e Audiovisual. Para ela, o lobby das TVs faz com que tenham muitos direitos, mas poucos deveres.
Com ela concorda o sociólogo Laurindo Lalo Leal Filho, professor da USP e especialista em TV. "É positivo que o Estado canalize recursos para produções independentes e que a TV aberta dê espaço a elas. Mas, nesse tipo de operação, o canal comercial, que é uma concessão pública, acaba trabalhando sem risco algum e sem oferecer contrapartidas", diz.
O ineditismo da operação "Avassaladoras" deve gerar um debate a respeito dos limites do financiamento público, na avaliação de Gabriel Priolli, especialista em mídia e diretor de TV. "Felicito a Total e a Record pela associação. Mas é uma contradição interessante que TVs abertas comerciais exibam programas feitos com verba pública, enquanto as TVs públicas, como a Cultura, tenham sua programação financiada por dinheiro do mercado. O modelo de financiamento das TVs merece debate e ajustes."
Alexandre Raposo, presidente da Record, ressalta o fato de a rede ter ampliado o espaço à produção nacional de teledramaturgia. Para ele, a TV é uma empresa "que gera empregos, paga suas contas, faz seus investimentos e deveria ter incentivo do governo, como outros setores do mercado".
Walkiria Barbosa, sócia da Total, diz não ver problemas em a Record ser indiretamente beneficiada com o subsídio de "Avassaladoras". "O custo dos programas se torna mais acessível e há possibilidade maior da diversificação da programação. Quanto mais conteúdo nacional e independente na TV aberta, melhor. Só fortalece a cultura brasileira", acredita.
A Band também já foi indiretamente beneficiada por verba pública via Ancine, com os especiais de Chico Buarque produzidos pela operadora DirecTV. A diferença é que a rede entrou depois no negócio, com exibição muito atrasada em relação à TV fechada, e não houve um acordo prévio para a produção do programa.
De acordo com Marcelo Parada, vice-presidente da Rede Bandeirantes, "sozinha, a emissora não teria fôlego para fazer o programa". É preciso usar toda forma de parceria que possibilite a captação de recursos para não depender dos intervalos comerciais. O custo da TV não comporta mais essa forma tradicional de financiamento. A conta não fecha."
O uso de verba pública, diz, "é legítimo" e o "grande beneficiário é o telespectador, que tem acesso a produtos de qualidade". O entretenimento é uma indústria e, como tal, tem direito à credito para produzir. Se eu fosse do governo, não teria dúvida em fomentar ao máximo a teledramaturgia, o que seria bom para o mercado interno e para a exportação."
Maior produtora de conteúdo da TV brasileira, a Globo se abre em ritmo lento à produção independente e ainda não exibiu um programa feito com verba pública. Teve de bancar, por exemplo, os custos de "Carandiru - Outras Histórias" (produzido pela HB, de Hector Babenco, e dirigido pelo cineasta) e de "Cidade dos Homens" (da 02, direção de Paulo Morelli, sócio da produtora). Não poderia ter usado leis de incentivo porque não havia um canal estrangeiro associado ao projeto. Além disso, a Globo costuma ficar com os "direitos patrimoniais" das obras, ou seja, compra as séries das produtoras. Para que houvesse captação, o produto não poderia ser propriedade da rede.
Sobre o fato de não ter captado verba pública para "Carandiru" e "Cidade dos Homens", a Central Globo de Comunicação afirma que "por incrível que pareça, as televisões abertas não podem usar esse recurso". Como se vê, essa parceria com as produções independentes teria um estímulo ainda maior. A grande contradição é que as produtoras multinacionais, no entanto, podem captar esse dinheiro subsidiado."


CONTRADIÇÃO
"É uma contradição interessante que TVs abertas comerciais exibam programas feitos com verba pública, enquanto TVs públicas, como a Cultura, tenham a programação financiada por dinheiro do mercado. O modelo O modelo de financiamento merece debate e ajustes." , diz Gabriel Priolli.

TRÊS LADOS DA MESMA MOEDA
A TV aberta, graças a seu lobby, não é obrigada a oferecer contrapartidas quando se beneficia indiretamente de verbas públicas, como no caso de "Avassaladoras". Essa é a opinião de Assunção Hernandez, produtora audiovisual atuante em debates sobre a política da comunicação. Abaixo, leia trechos da crítica que faz às TVs:
"Toda concessão tem obrigação de oferecer contrapartida para a sociedade. No caso da TV, deveria haver cota para produção independente e taxação para o fomento do mercado audiovisual. No Brasil e em parte da América Latina, não conseguimos isso.
Quando cobradas, as redes falam de dirigismo, de ditadura. Mas é exatamente isso o que significa essa produção intramuros, sem regulação. A TV deveria dar espaço para que os conteúdos independentes pudessem transitar. É como um concessionário de estrada. Ele não pode apenas permitir que seus carros trafeguem.
Não sou contra esse tipo de operação da Record/'Avassaladoras', mas luto para que as TVs tenham um compromisso mais completo com a sociedade. A contribuição deve ser maior do que só abrir o espaço da programação, que é um bem público."


Se chegar o dia em que recursos públicos forem utilizados para uma novela da Globo feita por produtora independente, "os paradigmas dessa políticas públicas podem ser revistos". A resposta à hipotética situação proposta pela Folha é de Mário Borgnet, assessor especial do Ministério da Cultura. Leia sua avaliação da operação Record/"Avassaladoras":
"A parceria entre TV aberta e produtora independente é um dos objetivos de nossa política para o audiovisual.
A questão não é o recurso favorecer a TV aberta, mas sim um produtor independente nacional. O beneficiário último deve ser o telespectador, o cidadão. Precisamos construir condições de mercado à produção independente. Agregar a TV aberta é algo a ser comemorado, mesmo que num primeiro momento o Estado seja avalista dessa relação. [O incentivo para uma novela da Globo feita por produtor independente] Seria problema se não gerasse discussão interna sobre o modelo de negócio, o fato de ela produzir tudo o que exibe. Mas, quando e se isso ocorrer, os paradigmas das políticas públicas podem ser revistos. Leis de incentivo são ferramentas e não dogmas eternos".


LAURA MATTOS
Folha de São Paulo - Ilustrada - Televisão

lista informativa da Associação Brasileira de Cinematografia

domingo, 15 de janeiro de 2006

noção de talento

Nelson Xavier em "Benjamim", de Monique Gardenberg

"Para fazer teatro bastava ter perseverança e talento. Hoje, precisa de ter noção de marketing, noção de administração, conhecimento da malha burocrática brasileira. Quer dizer, uma porção de atributos que geralmente um artista autêntico não tem."

Nelson Xavier, ator

Onde se lê "teatro", acrescente-se "cinema". A burocracia é a mesma!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

o cinema pela vida afora


"Ontem, em entrevista ao Estadão, Caetano Veloso comentou que diretores que fizeram sucesso de bilheteria foram punidos em concursos públicos (realizados pelo MinC ou estatais). No caso do BNDES, vamos aguardar o resultado para saber se há equilíbrio na decisão do júri, integrado por sete pessoas. Ou não.
Seria bom Caetano ler curto artigo do Luis Zanin, publicado hoje no Guia Estadão. Um sucesso não depende no número frio de espectadores: 'King Kong' está com 1,6 milhão de espectadores e é um fracasso. Foi lançado com mídia pesada de blockbuster, mais de 600 cópias. Esperava-se que rendesse oito milhões de espectadores (como 'Homem Aranha'). Ou quem sabe, 18 milhões ('Titanic'). Já 'Se Eu Fosse Você', de Daniel Filho, com 180 cópias, teve ótimo desempenho e altíssima frequência por cópia. Outro caso: 'Vinícius', de Miguel Faria Jr, com apenas 25 cópias (e sendo um documentário) já foi visto por 213.891 espectadores. Neste caso estão 'Cidade Baixa', de Roberto Machado, 'Cinema, Aspirinas e Urubus', de Marcelo Gomes, e poucos outros. Com poucas cópias, vendem número significativo de ingressos.
Dia desses, o cineasta Ugo Giorgetti lembrou que não se pode medir o sucesso de um filme só pelo número de espectadores. Concordo e escolho dois exemplos: 'Narradores de Javé', de Lili Caffé, e 'Quase Dois Irmãos', de Lúcia Murat. Esses dois filmes ficaram na faixa dos 70 mil espectadores (cada um). É pouco? É? Mereciam pelo menos 500 mil (cada um). Mas tiveram imensa visibilidade em festivais internacionais (os classe B -- lembrando que A são Cannes, Veneza e Berlim) e festivais brasileiros. Cada um acumulou uns 10 prêmios internacionais e uns 30 brasileiros. Vi sessão de 'Narradores de Javé', no Fest Recife com 3 mil pessoas dentro do Cine Teatro Guararapes. E sala cheia no debate do filme no dia seguinte. 'Terra em transe', de Glauber Rocha não estourou nas bilheterias. Mas Cacá Diegues costuma dizer que ele 'permanece em cartaz até hoje'. Há filmes que fizeram milhões de espectadores e não valem NADA. Assistimos e esquecemos deles, 5 minutos depois. Há filmes que não fazem sucesso no circuito comercial mas seguem conosco, pela vida afora."

Maria do Rosário Caetano

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

cineasta cinéfilo


Guilherme de Almeida Prado é um cineasta que não gosta de cinema, entre outras coisas, mas que ama o cinema acima de tudo nesse mundo. A afirmação é do jornalista e crítico de cinema Luiz Zanin Oricchio, que depois de longas conversas com Guilherme, organizou o livro/biografia da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Em uma sala escura e silenciosa um jornalista e um cineasta se encontram para falar, é claro, sobre cinema. A idéia é traçar o perfil do jovem diretor, cineasta cinéfilo, que respira filmes desde os 15 anos, quando se mudou de uma fazenda em Jardinópolis para Ribeirão Preto. O jornalista é Luiz Zanin Oricchio e a missão é escrever o mais novo livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. O cineasta, Guilherme de Almeida Prado. As três longas conversas, registradas em mais de oito horas de gravação, resultaram no Guilherme de Almeida Prado - Um cineasta cinéfilo. O livro tem 304 páginas, custa R$ 9,00 e pode ser adquirido nas livrarias ou no site www.imprensaoficial.com.br.
Guilherme guarda sucessos inesperados e fracassos deprimentes, como conta em seu depoimento. E muitos prêmios também. De 1981 a 1998, fez cinco filmes: "As taras de todos nós" (1981), "A flor do desejo" (1984), "A dama do Cine Shangai" (1987), que ganhou 7 kikitos no Festival de Cinema de Gramado, "Perfume de gardênia" (1992) e a "Hora mágica" (1998). Na gaveta há anos, guardado de acontecimentos não muito agradáveis, como a morte de Caio Fernando Abreu, seu parceiro no projeto, e a leucemia que o levou a deixar o cinema de lado e a se refugiar em sua fazenda, o longa "Onde andará Dulce Veiga" deve ter lançamento em breve.
Tímido na infância e sem desenvoltura social para conhecer pessoas, começou a ler - e leu muito desde os oito anos. Podia ser livros de Júlio Verne ou José de Alencar, Arthur Conan Doyle ou Edgar Allan Poe. Só mais tarde, quando saiu da fazenda e se mudou para Ribeirão Preto é que foi conhecer cinema. "À tarde era quase religioso ir ao cinema. Havia uns 14 na cidade e a programação mudava toda a semana, então tinha pelo menos 10 filmes novos por semana para ver", conta. Foi aí que começou sua obsessão.
No livro, Guilherme relembra sua trajetória, a descrença dos pais na sua escolha, a mudança para São Paulo para estudar engenharia, a câmera de Super 8mm que ganhou do pai "para ver se essa mania passava logo", os trabalhos na Boca do Lixo, onde ficou por um ano e meio e trabalhou em oito filmes, seus projetos, amigos, trabalhos e sonhos. Conta ainda, filme a filme, filmado ou engavetado, detalhes que o espectador não acompanha quando vai ao cinema ou quando aperta o play do vídeo cassete ou do dvd. Fala de filmes que o influenciaram, de filmes que fez, das dificuldades e compensações, frustrações e sucessos. Fala de cinema, sobretudo, como apaixonado que é.
Conta, também, como Matilde Mastrangi acabou por participar de todos os seus filmes. Um dia a atriz disse "eu quero ficar sua amiga porque acho que você vai ser um grande diretor e quero trabalhar em seus filmes". E ele sempre encontrou um papel para ela. Nessa linha, teve também episódios com José Lewgoy e Christiane Torloni. Todos contados no livro.
"Não é fácil e talvez seja mesmo inútil tentar alinhar Guilherme em grupos ou tendências. Seu cinema é muito autoral, reflete uma época fragmentada e sua proposta estética não se deixa apreender com facilidade", diz Luiz Zanin Oricchio.