quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Mostra de Cinema de Tiradentes

Rosanne Holland em "A Concepção", longa brasiliense de José Eduardo Belmonte, na Mostra em Tiradentes

A programação da 9ª Mostra de Cinema de Tiradentes apresentará ao público o que será o cinema de 2006 em longa, curta e vídeo em 47 sessões. O evento amplia sua programação e reflete o belo momento do audiovisual brasileiro. “A pluralidade de linguagens e temáticas e a diversidade regional determinam a tonalidade da programação”, afirma Raquel Hallak, coordenadora da Mostra.

A Mostra exibirá um número recorde de produções, com 173 trabalhos, entre os dias 20 e 28 de janeiro, divididos em 24 longas-metragens, 60 curtas-metragens e 89 vídeos.

Como em todas as edições anteriores da Mostra, os longas-metragens da programação são inéditos no circuito comercial. Este ano, o público poderá conferir o melhor da novíssima safra do nosso cinema, com alguns filmes já consagrados antes da sua estréia no mercado, ao lado de pré-estréias que terão na Mostra a sua primeira exibição. Esta edição traz muitos filmes de diretores iniciantes (Gustavo Acioli, Roberto Bontempo, João Falcão) que se somam a trabalhos de diretores consagrados, como Ruy Guerra, homenageado do evento.

A programação de longas traz destaques como “Eu me Lembro”, do baiano Edgard Navarro, grande vencedor do último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, levando sete troféus, entre eles, melhor filme, melhor diretor , melhor roteiro e melhor longa segundo a crítica. O filme é um relicário de memórias do diretor, que tem como pano de fundo o Brasil da década de 40 até os anos 70.

Exibirá os filmes “A Concepção”, de José Eduardo Belmonte (DF), e “Os incuráveis” (RJ), de Gustavo Acioli, ambos também exibidos na mostra competitiva em Brasília. “A concepção” é uma viagem existencial provocada por experiências alucinógenas, que buscam a negação do eu, entre um grupo de jovens. “Os incuráveis” é a adaptação da peça “A dama da lapa”, dirigido e roteirizado por Acioli. O filme fala sobre um casal (Fernando Eiras e Dira Paes) que vive uma noite reveladora em uma boate da Lapa, zona boêmia do Rio de Janeiro.

Será exibido também “Crime Delicado”, o mais novo longa do diretor paulista Beto Brant. O filme é uma belíssima sucessão de quadros fixos, que dialoga com as artes plásticas e o teatro. “Crime Delicado” deu o prêmio de melhor diretor a Beto Brant no último Festival do Rio.

A Mostra apresentará em primeira mão, o aguardado documentário “Serras da Desordem”, de Andréa Tonacci. O filme reconstrói a história do índio Carapiru, remanescente da tribo dos Guajá, que atravessa o Brasil central em uma caminhada de mais de dois mil quilômetros. São personagens verdadeiros de uma história original.

Tonacci é um dos mais interessantes realizadores de documentários no Brasil, vindo da tradição do cinema experimental na década de 60, quando realizou o já mitológico “Bang Bang” (1971), um dos melhores trabalhos da época. Tonacci encontrou no documentário etnográfico o caminho para a realização de belos filmes e foi pioneiro na introdução do vídeo no Brasil como registro documental.

O diretor escolheu a Mostra como palco para a primeira exibição do seu trabalho, realizado depois de um longo hiato sem filmar (mais de duas décadas). Além de diretor, Tonacci, nascido ne Itália em 1944, no Brasil deste 1953, é também diretor de arte de filmes importantíssimos, como “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla.

Outra pré-estréia da programação é o longa “Mulheres do Brasil”, de Malu De Martino. O filme é uma ficção narrada em episódios, que conta a história de mulheres de classes sociais e regiões diferentes do país.

A programação exibe ainda as experiências poético-documentais, “Aboio”, da mineira Marília Rocha, e “Morro da Conceição”, da carioca Cristiana Grumbach.

Será apresentado também o aguardado “A Máquina”, estréia nos longas-metragens do diretor de teatro João Falcão.

A programação de curtas-metragnes abre com um desafio para o público, com a série “Curta a experiência”, que reúne os trabalhos que dialogam com o experimentalismo e a quebra da narrativa linear. Filmes como “Dormente”, de Joel Pizzini, é um exemplo. O diretor vem conduzindo o seu cinema pelo caminho da poesia e do experimentalismo. Nesse trabalho ele levou para o cinema um vídeo-instalação realizado inicialmente para a Bienal de São Paulo, na qual ele retrata a projeção de uma luz conduzida por um trem, sobre a cidade de São Paulo. Destaque para a belíssima trilha canção original de Itamar Assunção.
Serão exibidos, entre outros filmes, dois trabalhos realizados pelos herdeiros diretos da sensibilidade de Glauber Rocha, “Medula”, de Eryk Rocha e Tunga e “Dramática”, de Ava Gaitán Rocha.

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