sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

o cinema pela vida afora


"Ontem, em entrevista ao Estadão, Caetano Veloso comentou que diretores que fizeram sucesso de bilheteria foram punidos em concursos públicos (realizados pelo MinC ou estatais). No caso do BNDES, vamos aguardar o resultado para saber se há equilíbrio na decisão do júri, integrado por sete pessoas. Ou não.
Seria bom Caetano ler curto artigo do Luis Zanin, publicado hoje no Guia Estadão. Um sucesso não depende no número frio de espectadores: 'King Kong' está com 1,6 milhão de espectadores e é um fracasso. Foi lançado com mídia pesada de blockbuster, mais de 600 cópias. Esperava-se que rendesse oito milhões de espectadores (como 'Homem Aranha'). Ou quem sabe, 18 milhões ('Titanic'). Já 'Se Eu Fosse Você', de Daniel Filho, com 180 cópias, teve ótimo desempenho e altíssima frequência por cópia. Outro caso: 'Vinícius', de Miguel Faria Jr, com apenas 25 cópias (e sendo um documentário) já foi visto por 213.891 espectadores. Neste caso estão 'Cidade Baixa', de Roberto Machado, 'Cinema, Aspirinas e Urubus', de Marcelo Gomes, e poucos outros. Com poucas cópias, vendem número significativo de ingressos.
Dia desses, o cineasta Ugo Giorgetti lembrou que não se pode medir o sucesso de um filme só pelo número de espectadores. Concordo e escolho dois exemplos: 'Narradores de Javé', de Lili Caffé, e 'Quase Dois Irmãos', de Lúcia Murat. Esses dois filmes ficaram na faixa dos 70 mil espectadores (cada um). É pouco? É? Mereciam pelo menos 500 mil (cada um). Mas tiveram imensa visibilidade em festivais internacionais (os classe B -- lembrando que A são Cannes, Veneza e Berlim) e festivais brasileiros. Cada um acumulou uns 10 prêmios internacionais e uns 30 brasileiros. Vi sessão de 'Narradores de Javé', no Fest Recife com 3 mil pessoas dentro do Cine Teatro Guararapes. E sala cheia no debate do filme no dia seguinte. 'Terra em transe', de Glauber Rocha não estourou nas bilheterias. Mas Cacá Diegues costuma dizer que ele 'permanece em cartaz até hoje'. Há filmes que fizeram milhões de espectadores e não valem NADA. Assistimos e esquecemos deles, 5 minutos depois. Há filmes que não fazem sucesso no circuito comercial mas seguem conosco, pela vida afora."

Maria do Rosário Caetano

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