quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

cineasta cinéfilo


Guilherme de Almeida Prado é um cineasta que não gosta de cinema, entre outras coisas, mas que ama o cinema acima de tudo nesse mundo. A afirmação é do jornalista e crítico de cinema Luiz Zanin Oricchio, que depois de longas conversas com Guilherme, organizou o livro/biografia da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.
Em uma sala escura e silenciosa um jornalista e um cineasta se encontram para falar, é claro, sobre cinema. A idéia é traçar o perfil do jovem diretor, cineasta cinéfilo, que respira filmes desde os 15 anos, quando se mudou de uma fazenda em Jardinópolis para Ribeirão Preto. O jornalista é Luiz Zanin Oricchio e a missão é escrever o mais novo livro da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. O cineasta, Guilherme de Almeida Prado. As três longas conversas, registradas em mais de oito horas de gravação, resultaram no Guilherme de Almeida Prado - Um cineasta cinéfilo. O livro tem 304 páginas, custa R$ 9,00 e pode ser adquirido nas livrarias ou no site www.imprensaoficial.com.br.
Guilherme guarda sucessos inesperados e fracassos deprimentes, como conta em seu depoimento. E muitos prêmios também. De 1981 a 1998, fez cinco filmes: "As taras de todos nós" (1981), "A flor do desejo" (1984), "A dama do Cine Shangai" (1987), que ganhou 7 kikitos no Festival de Cinema de Gramado, "Perfume de gardênia" (1992) e a "Hora mágica" (1998). Na gaveta há anos, guardado de acontecimentos não muito agradáveis, como a morte de Caio Fernando Abreu, seu parceiro no projeto, e a leucemia que o levou a deixar o cinema de lado e a se refugiar em sua fazenda, o longa "Onde andará Dulce Veiga" deve ter lançamento em breve.
Tímido na infância e sem desenvoltura social para conhecer pessoas, começou a ler - e leu muito desde os oito anos. Podia ser livros de Júlio Verne ou José de Alencar, Arthur Conan Doyle ou Edgar Allan Poe. Só mais tarde, quando saiu da fazenda e se mudou para Ribeirão Preto é que foi conhecer cinema. "À tarde era quase religioso ir ao cinema. Havia uns 14 na cidade e a programação mudava toda a semana, então tinha pelo menos 10 filmes novos por semana para ver", conta. Foi aí que começou sua obsessão.
No livro, Guilherme relembra sua trajetória, a descrença dos pais na sua escolha, a mudança para São Paulo para estudar engenharia, a câmera de Super 8mm que ganhou do pai "para ver se essa mania passava logo", os trabalhos na Boca do Lixo, onde ficou por um ano e meio e trabalhou em oito filmes, seus projetos, amigos, trabalhos e sonhos. Conta ainda, filme a filme, filmado ou engavetado, detalhes que o espectador não acompanha quando vai ao cinema ou quando aperta o play do vídeo cassete ou do dvd. Fala de filmes que o influenciaram, de filmes que fez, das dificuldades e compensações, frustrações e sucessos. Fala de cinema, sobretudo, como apaixonado que é.
Conta, também, como Matilde Mastrangi acabou por participar de todos os seus filmes. Um dia a atriz disse "eu quero ficar sua amiga porque acho que você vai ser um grande diretor e quero trabalhar em seus filmes". E ele sempre encontrou um papel para ela. Nessa linha, teve também episódios com José Lewgoy e Christiane Torloni. Todos contados no livro.
"Não é fácil e talvez seja mesmo inútil tentar alinhar Guilherme em grupos ou tendências. Seu cinema é muito autoral, reflete uma época fragmentada e sua proposta estética não se deixa apreender com facilidade", diz Luiz Zanin Oricchio.

2 comentários:

iris disse...

Olá nirton !

Pesquisando sobre blogs de cinema achei esse espaço aqui. Sou estudante de cinema em Salvador e achei muito legal seu blog, cheio de informação interssante e o que é melhor, sobre figuras do cinema nacional.
vou indicar para o povo
abraços

Ailton disse...

Achei esse livro uma delícia, Nirton.