sexta-feira, 25 de setembro de 2015

o silêncio de Bresson

"Esteja seguro de ter esgotado tudo o que se comunica através da imobilidade e do silêncio"

Robert Bresson, cineasta francês, lembrando que o cinema é essencialmente o silêncio da luz e da cor, e que a palavra e a música serão sempre bem-vindas quando a imagem primeiro falar por si. 

Bresson seguiu à risca sua concepção genuína de cinema em doze longas que dirigiu, o que lhe valeu a "sentença" de autor de filmes secos, para agradar os críticos e afastar o público. Nem uma coisa nem outra. 

Pickpocket, 1959, por exemplo, tem um clima de tensão tão bem construído que é impossível o espectador não se prender diante da ação. E a tensão está no que não ocorre nas cenas: ela impulsiona no que se percebe, no que é sugerido. 

O roteiro, simples e preciso, conta a história de um homem desempregado, amargurado e depressivo, que tenta a sorte nas ruas de Paris roubando bolsas e carteiras. Godard dizia que "Bresson é cinema francês, assim como Mozart é música alemã e Dostoiévsky é literatura russa", talvez por Pickpocket ser da época em que a Nouvelle Vague dava seus primeiros passos na tela. 

Bresson, o minimalista, o mestre do cinema como movimento interior, faria hoje 114 anos. Em 1999, seguro ter esgotado tudo que queria comunicar com seus filmes, partiu para outros silêncios.

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