sexta-feira, 17 de julho de 2015

a voz de Billie


Logo na abertura do filme Sophie Scholl - Uma mulher contra Hitler (Sophie Scholl - Die letzten tage), de Marc Rothemund, 2008, ouvimos a bela voz de Billie Holiday, em uma de suas mais bonitas canções, Sugar. A atriz Julia Jentsch, na personagem título, acompanha a música com o ouvido colado no rádio, cantarola, e a cena é interrompida, partindo para outra sequência.

Lembro que durante o desenrolar de quase duas horas de filme, aquela música lá do final dos anos 30, ficou na minha cabeça, suavemente ecoando. 

O que particulariza o estilo de Billie Holiday é a essência de sua interpretação. Sua conturbada vida parece desfolhar-se em cada canção, não somente pelas letras das músicas, mas pela maneira como essas melodias saem da sua alma, são extraídas lá do mais íntimo do coração.

Quando nasceu, seu pai, um tocador de banjo, tinha apenas quinze anos de idade e sua mãe não mais do que treze . O pai abandonou a família e a mãe deixava a filha bebê com familiares. Negra, pobre, desamparada, Billie amargou infortúnios logo cedo. Foi violentada aos dez anos de idade por um vizinho. Internou-se em casa de correção, lavou chão de prostíbulo, e virou prostituta aos catorze anos, em Nova Iorque. Isso nos anos 20. Na década seguinte começou como cantora, quando foi descoberta por um pianista em um bar do Harlem. Sua voz conquistou nomes como Benny Goodman, Count Basie, Artie Shaw, Duke Ellington e Louis Armstrong. Fez concertos com todos eles.

Nos anos 40, Billie entrou numa de ruim pra pior. Passando por vários momentos de depressão, afundou-se no álcool e drogas pesadas. Um caminho sem volta. Morreu com apenas 44 anos de idade.

Muitas dessas revelações corajosas, sem autocomiseração, estão na autobiografia Lady sings the blues, publicada pouco antes de sua morte, que hoje completa 56 anos.

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