quarta-feira, 4 de março de 2015

quem me criou foi Iemanjá

No final de janeiro escrevi aqui e no minha página no Facebook sobre o pré-lançamento de "Barlavento", terceiro disco de Gustavo Portela, um dos mais autênticos compositores da música cearense contemporânea.

Durante o show, no Teatro Sesc Iracema, em Fortaleza, ele apresentou o clipe Paratodos, conversou com a plateia e exibiu fotos de suas andanças pelas praias e sertões, refazendo, como pesquisa e encontro, o percurso da chegada dos índios Tremembé ao litoral cearense. O trabalho de Gustavo Portela tem a consistência da cultura popular numa projeção universal.


Domingo passado, 1º, ele lançou o disco com um show elaboradíssimo, no Anfiteatro Dragão do Mar. Uma apresentação cênica e musical comovente, dando forma às histórias que contam e cantam as canções. Partindo da faixa Caminho do mar, letra e música suas, Gustavo segue o roteiro do mar que virou sertão que virou mar, seguindo a saga do menino que por sua mãe foi dado a Iemanjá como oferenda. A construção dramática, para o que diz a letra e ondula a melodia, é a imagem de um artista esculpindo a beleza no palco. Tocante, enternecedor.


Gustavo torna-se ainda mais criativo pela inserção de personagens da cultura nordestina, como o ventrículo habilmente manipulado pela atriz Maria Vitória. O diálogo com o outro, o diálogo consigo. Da mesma forma, a participação da cantora Marta Aurélia interpretando em Ô Jandê/Água de manima, dos Índios Tremembé de Almofala, mixando com o grito urbano do rapper Erivan Produtos do Morro,  dão ao show a mais perfeita tradução que arte é da minha casa para o mundo, é do mar e da montanha, e de mim e de ti. É de todos. É paratodos.
louvação

Gustavo é presença no meu documentário Pessoal do Ceará - Lado A Lado B. 

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