segunda-feira, 23 de março de 2015

meus Franciscos


"Eu sou muito ruim de datas", diz Chico Anysio em sua biografia Sou Francisco, de 1991, logo no comecinho do livro, e no capítulo ele justifica essa sua falha.

E eu já sou bom de datas, meu querido conterrâneo, e não vou esquecer o dia 23 de março 2012, quando liguei o computador e me deparei com a notícia de sua partida. Não achei a menor graça, Chico. 
Eu sei que você lutou durante os últimos três meses para não se encontrar agora com o Seu Rolando Lero, o Samuel Blaustein, Bertoldo Brecha, Baltazar da Rocha, Dona Bela, Galeão Cumbica, Mazarito, Manuela D'Além-mar, Gaudêncio, Rui Barbosa Sá Silva, Pedro Pedreira, alguns dos alunos da sua Escolinha, mestre Raimundo, e estão aprontando lá por cima. Mas a "indesejada das gentes" tem esse incômodo da pontualidade e não ser intermitente como bem idealizou Saramago em um dos seus livros.

Creio que sua última participação no cinema foi no filme do meu amigo Clébio Viriato, O auto da camisinha, e está ótimo no papel de Padrinho. Que personagem mais adequado! Você se dispôs tão simpaticamente ao convite de Clébio e encantou dezenas de atores que contracenaram com você no sertão de Quixadá.

Você é múltiplo, Chico. Escrevia, atuava, cantava, vivia! Você é multimídia, você foi visionário. Você ficou vários com seus mais de duzentos Chicos. É muita saudade, Chico.

E permita-me dizer-lhe que você é meu segundo Francisco: o primeiro é meu pai, que lhe admirava e também está sob outras luzes.

Um beijo, Franciscos.

Nenhum comentário: