terça-feira, 9 de outubro de 2018

moço lindo do Badauê

A composição Beleza pura, de Caetano Veloso, gravada por ele no disco Cinema transcendental, 1979, uma geografia afetiva e histórica de nossa negritude percorre a letra. Uma manifestação poética e ancestral dos candomblés, afoxés, maracatus, tambor de crioula, todas as matrizes de nossa africanidade em um desfile pelas pedras das ruas, entre os trilhos urbanos de Salvador.
Mestre Môa de Katendê, 63 anos, compositor, dançarino, capoeirista, ogã-percussionista, artesão e educador na propagação da cultura afro-brasileira, é referenciado e reverenciado na canção no trecho “moço lindo do Badauê / beleza pura/ do Ilê Aiyê / beleza pura...” Mestre Môa foi um dos fundadores do grupo Afoxé Badauê, lá no começo da década de 70, e era uma espécie de Pelé do Jogo de Angola, o embrião do estilo de capoeira.
O moço lindo do Badauê foi brutal e covardemente assassinado no final de domingo por um eleitor do #elenão, após uma discussão em que teria criticado o tal candidato e defendido o seu voto no PT.
Môa de Katendê, que em todo seu trabalho como educador, lutava contra a intolerância, foi abatido por ela.
Dentro daquele turbante Filhos de Ghandi, que todos os búzios iluminem esses tempos em que vivemos tensos entre o medo e a esperança.

Nenhum comentário: