sábado, 27 de outubro de 2018

em me lembro

Fantástico, onírico, nostálgico e memorialístico, Federico Fellini concebeu em Amarcord, 1973, um dos mais fortes libelos cinematográficos contra o fascismo. Autobiográfico, o cineasta ambienta seu delírio e expurgação nos anos 30 da Itália devastada pela figura pústula de Mussolini, pela moral repressora e destrutiva.
Na história, o personagem Titta é o alter ego do diretor. Mas todos os personagens que lhe rodeiam e habitam o passado nessa depuração de revogação nostálgica, são Fellinis. Mesmo não tendo tragédias sérias na família, o cineasta tomou posição e dizia que o fascismo aprisionou os italianos em uma adolescência perpétua de pesadelos, pelos tempos opressivos que viveram. O cinema lhe acolheu para espantar os fantasmas.

Realizei em 1999 o curta-metragem O último dia de sol, sobre a prisão de meu pai no dia seguinte ao golpe militar de 1964, para também afugentar pesadelos, esconjurar lembranças e impedir que meus filhos tenham a infância descolorida.
Amanhã iremos às urnas. Amanhã afastaremos esse arremedo histriônico e placebo do fascismo sobre o nosso chão sagrado.
O simpático "voodoozinho" do cineasta italiano na foto abaixo, é obra da grande artista plástica cearense Lana Benigno. Presente na minha estante, presente em meu coração.

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