segunda-feira, 16 de julho de 2018

sambista de valor

"Não tenho veia poética, mas canto com muita tática,
não faço questão de métrica, mas não dispenso a gramática"


Trecho com muita poética de O que vier eu traço, samba de 1926, de Alvaiade, batizado Osvaldo dos Santos, um dos maiores compositores brasileiros, carioca da gema, sambista de primeira ligado a Portela, tocava vários instrumentos, do cavaquinho a percussão.
A composição, em parceria com Zé Maria, ficou célebre com a ótima interpretação de chorinho apressado de Ademilde Fonseca, em gravação nos anos 40. As novas gerações conhecem a versão em “beat acelerado”, também admirável, de Baby ainda Consuelo, em disco que tem o título da música, de 1978. E, entre outras interpretações, a turma mais recente, das rodas de bamba e plataformais digitais, ouviu na simpática voz da sambista Teresa Cristina.
Clássicos como esse dignificam nossa rica música brasileira. E por trás de tanta beleza, métrica e gramática, muitos de nossos artistas do passado sobreviveram traçando com muita tática o que viesse de trabalho. Alfaiade segurava a onda e o tamborim do dia a dia, com um salário de tipógrafo. Como bem cantou Paulinho da Viola em 14 anos, "sambista não tem valor nesta terra de doutor", quando faleceu em 1981, aos 68 anos, Alfaiade passava dificuldades, tinha uma aposentadoria mixuruca. Seu corpo permaneceu dois dias no IML antes de ser reconhecido. Seu nome continua pouquíssimo reconhecido.

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