terça-feira, 10 de julho de 2018

a última hora de Elvira

Na manhã do dia 10 de julho do ano passado, uma segunda-feira, faleceu, em São Paulo, uma das maiores escritoras da literatura contemporânea, Elvira Vigna, aos 69 anos. Reconhecida e premiada no meio literário, é autora de romances, contos, ensaios, livros infantis, além de jornalista, tradutora, artista plástica e roteirista de cinema.
Estreou aos 41 anos, com o belíssimo e oportuno Sete anos e um dia, de 1988, ambientado na época da abertura política. Uma obra-prima como narrativa e preciosidade contextual. Seu último livro, Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, Prêmio APCA 2016 de Melhor Romance, é outro exemplo de vigor na estrutura formal descritiva.

Em 2012, quando foi diagnosticada com câncer de mama, recolheu-se e dedicou-se a escrever enquanto se tratava, publicando sete livros no Brasil e exterior.
Elvira, soube-se depois, preferiu manter em segredo sua luta contra a doença, por receio que não fosse mais convidada para eventos literários.
Seu legado é um testemunho, um relato do homem e seus conflitos e esperanças, inserido em interrogações do mundo moderno, da vida social e política. E soube muito bem descrever essas inquietações, como modestamente abre o primeiro parágrafo do seu último livro:
“Mas nessa hora que faço, vou contar uma história que não sei bem como é. Não vivi, não vi. Mal ouvi. Mas acho que foi assim mesmo.”

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