quarta-feira, 8 de março de 2017

ser divergente



Fumar na rua, usar blusas transparentes, ter cabelos eriçados, dizer palavrões, ter vários namorados... esse comportamento nos anos 20 não era para qualquer um, ou mais exatamente, não era para qualquer uma: assim era Patrícia Galvão, a Pagu, escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira.
Ficou conhecida como musa do movimento modernista, embora não tenha participado no início, pois tinha apenas 12 anos de idade. A ligação se fez mais tarde, por ter definido seu trabalho com as características e conceitos da Semana de Arte Moderna, integrando-se ao movimento antropofágico em 1929, e abalado o conservadorismo da época ao ser o pivô da separação do escritor Oswald de Andrade da artista plástica Tarsila do Amaral.
Pela sua ferrenha atuação nos sindicados e filiada ao Partido Comunista, Pagu foi a primeira presa política do Brasil, detida pela polícia de Getúlio Vargas ao promover uma greve dos estivadores no Porto de Santos.
Seguiram-se mais de vinte prisões, e por cinco anos torturada numa cela. Resistente e altiva, Pagu dizia “Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre”.
Faleceu de câncer aos 52, dois anos antes do Golpe de 64. Com certeza teria lutado contra a ditadura, continuado a cometer o crime de ser divergente.

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