quarta-feira, 8 de março de 2017

dona Elizabeth

A história da paraibana Elizabeth Altino Teixeira no combate à violência agrária e à impunidade começou em 1962, após o assassinato do marido, o fundador da Liga Camponesa João Pedro Teixeira.
“O João sempre me pedia para dar continuidade à luta, eu não respondia. Na hora da morte, ele segurou na minha mão e eu disse sim. Nem pensei que eu estava sozinha para criar onze filhos”, conta com serenidade e saudade. Para não ter o mesmo fim do marido, com o golpe militar de 1964, Elizabeth foi viver na clandestinidade, no interior do Rio Grande do Norte, com o falso nome de Marta Maria Costa.
Quando era militante, ela chegou a ser convidada por Fidel Castro para morar com a família em Cuba. Determinada, agradeceu respondendo que tinha uma missão no Brasil: “lutar pelo direito à terra.”
A trajetória de ambos foi resgatada pelo cineasta Eduardo Coutinho no filme Cabra marcado para morrer, rodado inicialmente em 1964 e finalizado em 1984. Elisabeth é protagonista da história de perseguição no campo e de repressão política sofrida pelo marido.
“Perdi a conta de quantas vezes fui presa e vi a morte de perto, mas o que mais doeu nessa vida toda foi ter passado mais de 16 anos longe dos meus filhos”, conta. Nove deles foram criados pelo seu pai.
No dia 9 de março de 2006 dona Elizabeth foi homenageada no Congresso Nacional, recebendo o diploma Mulher-Cidadã Betha Lutz por ocasião do Dia Internacional da Mulher.
Lúcida aos 92 anos, mora em João Pessoa numa casa doada por Eduardo Coutinho logo após as filmagens.

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