domingo, 12 de março de 2017

o sopro do pássaro

foto © PacoCartoon
No ótimo conto O perseguidor, de Julio Cortázar, publicado em 1958, na coletânea "As armas secretas", o personagem Johnny é um dos maiores saxofonistas do mundo, criando um estilo de jazz que não se consegue definir com clareza, tocando o coração de todos com sua música. O outro lado do homem é um Johnny extremamente perturbado, viciado em drogas, perde seu saxofone no metrô de Paris, e se desespera por não ter como comprar outro para o show que fora contratado na capital.

O conto foi diretamente inspirado no músico americano Charles Parker, 62 anos de sua morte hoje. Cortázar era fã de jazz e apaixonado pela música de Bird, assim apelidado o saxofonista, título do filme biográfico dirigido por Clint Eastwood em 1988, com a atuação perfeita de Forest Whitaker.
Charles Parker foi um dos maiores músicos da história do jazz. A beleza de suas composições misturava harmoniosamente estilos do clássico ao latino. Dessa melodia e ritmo tão próprios, Bird criou o Bebop, tornando-o uma espécie de pai do desenvolvimento conceptivo do jazz.
Teve morte precoce, aos 34 anos, consumido pelas viagens sem volta. Nunca se sabe o que há por trás das canções, das dores dos pássaros que não voam.

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