terça-feira, 18 de outubro de 2016

eu vou tirar você desse lugar

A belíssima Melina Mercouri vive uma prostituta no filme do então marido Jules Dassin (1911-2008), o ótimo Nunca aos domingos (Never on Sunday), coprodução dos Estados Unidos e Grécia, de 1960.

Sua personagem não chega a ser como a ingênua Cabiria, do clássico das noites de Federico Fellini, mas Ilya é uma prostituta de bom coração, diferente das colegas de vida difícil no porto de uma cidadezinha perto de Atenas.

O conflito do filme se dá no momento em que um desses turistas americanos, metido a filósofo e salvador do mundo, chega à Grécia para entender a decadência da grande civilização que foi. O forasteiro, interpretado pelo próprio diretor do filme, vê na prostituta um símbolo da transformação que o país milenar precisa urgentemente. E o moço se empenha em tirar Ilya daquele pedaço, cheio de garotas indecentes e cafetões asquerosos.

A analogia interessante que se pode fazer entre o filme e a realidade, é que a atriz abandonou o cinema em 1978, e entrou com tudo na vida política do seu país, Mesmo exilada na França, lutou contra ditadura, empenhando-se com o seu prestigio, em reerguer a civilização ameaçada. Com a redemocratização ainda frágil, Melina voltou à Grécia e vinculou-se ao Parlamento progressista, tornando-se a primeira Ministra da Cultura, cargo que exerceu por dois mandatos na década de 90.

A atriz, que hoje completaria 91 anos de idade, tinha 75 quando faleceu em Nova Iorque. Mais uma vez retornou ao seu porto grego, para ser enterrada com merecidas honras de chefe de Estado.

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