segunda-feira, 24 de outubro de 2016

corazón espinado

“O que não me mata, me alimenta”
- Frida Khalo

Na foto acima, Salma Hayek em Frida, de Julie Taymor, 2002. A cena reconstitui o período em que a pintora cria a sua mais pessoal e significante obra: o quadro A coluna partida, em 1944.

À época do autorretrato, aos 37 anos, Frida estava com a saúde fragilizada, mas nutria a alma das forças que o corpo não tinha mais.

Como em um raio X preciso, conotativo e tridimensional, vê-se a coluna cervical quebrada substituída pelo ferro do carro que lhe acidentou... as lágrimas caem no rosto, os pregos perfuram a pele, as vastas sobrancelhas como uma asa emoldura o rosto firme e triste, como firmes são os seios que sensualizam sua tristeza, desnudos pelas tiras de um espartilho que lhe sustenta o dorso.

A firmeza maior nessa obra-prima vem do olhar que não se quebrou. Vem de dentro, de um coração machucado, desafia a si mesma, desafia a quem olha.

Mostra ao mundo o quanto você foi intensa, Frida!

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