sábado, 18 de agosto de 2007

o mesmo ar

equipe do filme "Dim", sob a luz de Pindoretama. Foto Rubens Venancio

"... a cada reencarnancão por mais bem vividas que tenham sido as anteriores, o encarnado pode até pensar que já compreende muita coisa, mas, quando fica velho, vê que não compreende quase nada, precisa voltar sabe-se lá quantas vezes - Deus não tem pressa nenhuma, para Ele tudo é ontem, hoje e amanhã, só quem vive dentro do tempo somos nós. Para ficar apenas num exemplo, quem compreende os mangues, todas as suas plantas, todos os seus mosquitos, todas as suas mutucas, todas as suas locas, todos os seus siris, sururus, caranguejos e aratus? Ninguém, por mais escolado. E assim, tudo mais, das pedras enterradas aos bichos voadores, o que se conta sempre podendo ser verdade ou mentira, nada se logrando provar com prova provada mesmo.

Mas alguma coisa sempre se sabe, tirado mais daquilo que se sente do que daquilo que se vê. Por exemplo, sinta o ar."


Trecho do livro "Miséria e grandeza do amor de Benedita", do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, que estou lendo nos intervalos da montagem do documentário-ficção "Dim".

Volto ao cinema a cada filme sem nunca largá-lo enquanto espero a próxima tomada. E vejo que cada cena na vida e no set é um eterno aprendizado que vai fazendo sentido à vida. Achego-me cada vez mais às pessoas que amo, que já conheço e residem aqui no peito; encontro outras novas que se tornam do meu convívio, e vão também se aproximando, e passamos a respirar o mesmo ar em volta.

Um comentário:

Adilson Marcelino disse...

Caro Nirton,
Tudo bem?
Fico acompanhando o "Dim" por aqui sempre.
Outra coisa: até hoje aguardo sua homenagem no Mulheres. Não desisti não viu?
O último que publiquei lá foi o do Avellar para a Lúcia Murat.
Um grande abraço,
Adilson Marcelino
www.mulheresdocinemabrasileiro.com