sábado, 26 de agosto de 2006

sem lenço e sem documento

"Se o documentário O Sol — Caminhando contra o vento, de Tetê Moraes e Martha Alencar, se limitasse à função de reinserir na corrente sanguínea da história uma das experiências mais importantes do jornalismo experimental impresso no Brasil, ele já teria cumprido a sua missão. Mas o filme vai muito além, projetando um rico panorama da virada convulsiva do final da década de 1960. É a primeira vez que o cinema brasileiro consegue mostrar, de uma maneira mais ampla, o enlace entre cultura e política que animou aquela geração brilhante de jovens. Em torno do Sol girou, direta ou indiretamente, toda a constelação de personagens fundamentais da cultura brasileira: Reynaldo Jardim, Henfil, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Zuenir Ventura, Ruy Castro, Carlos Heitor Cony, entre outros. O jornal só durou cinco meses. Mas, para os que dele participaram 'uma escola de jornalismo, de vida e de caráter'. Se depender dos meios convencionais de informação, um jovem desse início de século tenderá a considerar que a história cultural brasileira e da humanidade começaram com Charles Brown Jr e Marcelo D2. É fundamental que as novas gerações, os jovens da geração do “Eu Mínimo”, entrem em contato com a experiência dos jovens 'sem lenço e sem documento' da década de 60. Com todos os seus equívocos, ela tem muito a ensinar em termos de espírito de invenção, amor ao Brasil, generosidade, consciência coletiva, paixão de transformar o mundo."

Texto do jornalista e atenadíssimo Severino Francisco, no tablóide Pensar do Correio Braziliense de hoje.

No filme, lançado na semana passada, é lembrada através de imagens de arquivo, músicas e depoimentos a história do jornal O Sol, que representou a geração pós-golpe militar no Brasil e ainda antes do AI-5. Imperdível.

2 comentários:

Claudio Eugenio Luz disse...

Meu caro, meu caro, é com um prazer imenso que comento. Assisti ao makinng of no canal brasil e posso lhe dizer que é sempre bom ver determinados momentos da nossa história nas telas. Eu acredito, coloco fé, muita coisa ainda será trazida para o cinema. Há tantas histórias para serem filmadas...O sol é um documentário revelador de uma época extremamente importante e delicada. Hoje, quando tudo parece excessivamente iluminado por outras luzes/spots, faz uma brutal falta essa claridade.

hábraços

Nirton Venancio disse...

o bom dessas produções é que estamos mais voltados pra nossa história, seja no documentário, como é o caso do filme da Tetê, seja na ficção ("Zuzu Angel", por exemplo). Este país, meu caro, tem muito o que ser contato.