sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Wajda


“Se conto a história de dois amantes e os mostro na cama desde a primeira cena, o espectador sabe que os acompanhará até o fim do filme, a menos que algo de grave os separe. Mas, então, esse ‘algo’ será o tema do filme.”

“Todo diálogo é constituído não apenas de palavras, mas também de reações mudas a essas palavras.”

“Todo filme termina com uma imagem que o espectador guardará na memória.”

ANDRZEJ WAJDA, o mais importante cineasta polonês, dando aí umas dicas para os novos roteiristas e diretores. Wajda começou a estudar cinema logo após a Segunda Guerra Mundial, e esteve no campo de batalha, lutando com a Resistência em 1942. “Geração” (Pokolenie), de 1954, “Kanal” (Kanal), 1957, e o mais conhecido, “Cinzas e diamantes” (Popiol i diament), 1958, formam a chamada trilogia sobre os efeitos da guerra. “O homem de mármore” (Czlowik z marmuru), 1976, “Sem anestesia” (Bez znieczulenia), 1978 e “O homem de ferro” (Czlowiek z zelaza), de 1981, são os filmes que lhe deram maior projeção mundial, que fez a cabeça de uma atenta geração cineclubista da época.

Em 2000 recebeu um Oscar Honorário. Gesto de reconhecimento bem-vindo, mas esquisito, vindo de onde veio, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood... Wajda foi um ativo participante da Juventude Socialista Independente, grupo formado por estudantes que tinham uma posição mais à esquerda do regime socialista da Polônia.

“Senhorita Ninguém” (Panna Nikt), foi o seu último filme exibido no Brasil, e graças a 21ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 97. Adaptado do livro homônimo (lançado em 99 pela Editora Record) do também cineasta e roteirista Tomek Tryzna, é um tocante drama sobre o universo juvenil e as dificuldades do amadurecimento, ambientado nos últimos anos do regime comunista.

Às vésperas de completar 80 anos, o cineasta não pára de filmar. Seu mais recente trabalho, agora de 2005, é “Solidarnos c, solidarnos c”, do qual não temos a mais remota notícia de lançamento por estas terras infestadas de “Harry Portter”.

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