sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

o cinema de Sérgio Machado



“Todo mundo tem tesão, medo, inveja, dor de barriga, todo mundo sabe que vai morrer. Então, eu queria fazer um filme a partir do meu interesse pelas pessoas, pela minha curiosidade pelos outros. E fazer um filme sobre gente para quem normalmente não olhamos, que a gente varre para debaixo do tapete, que a gente não quer ver, e mostrar que essas pessoas, quando vistas de perto, são iguais a nós.”

“Eu sou um maníaco-doente-obsessivo preparador. Durante dois anos, eu só faço pensar no filme. Então, eu fiz anotações, anotações, anotações e fiz um livrão de quase quinhentas e tantas páginas com tudo que eu tinha anotado sobre cada cena, com fotos, desenhos, mapas, esquemas, tudo muito preciso."

“Eu descobri nesse processo que, basicamente, um diretor tem dois papéis: um, como o nome já diz, é dirigir, fazer com que todo mundo crie na mesma direção; o outro é seduzir a equipe, ficar o tempo todo dizendo, ‘vamos lá, tá bacana, cria mais’, para o fotógrafo, para o diretor de arte, tentar motivar todo mundo para agir criativamente. O contrário do que eu penso é essa pessoa que fica, ‘aqui é meu filme, ninguém se mete’, que fica se protegendo. Eu acho que isso não faz nada ficar mais autoral. Fica ruim. Você às vezes acha que está ótimo, e não está.”


SÉRGIO MACHADO, diretor de um dos melhores filmes brasileiros lançados neste ano, “Cidade Baixa”, em cartaz nos cinemas do país, driblando os lançamentos de muita bobagem de fim de ano. A entrevista completa de onde foram extraídos os trechos acima está no sítio www.cinemaemcena.com.br

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