terça-feira, 27 de dezembro de 2005

o que sai da Boca

"O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, 1962
"Induzido por alguns críticos da época, passou-se a considerar que o cinema da Boca do Lixo fosse um estilo, ou só um tipo de cinema, vulgar e apelativo. Nao é verdade. Ninguém nega que possa ter existido vulgaridade em muitas realizaçoes, mas esse elemento nao era freqüente. E nao era também uma linha única entre os filmes concebidos e executados pelos cineastas daquela reguiao. Embora os que insistem em depreciar aquela fase citem apenas produçoes com títulos de apelo erótico como 'Vidas nuas' ou 'Tráfico de fêmeas', é preciso frisar que da Boca saíram criaçoes consideradas 'cult' como 'O bandido da luz vermelha', de Rogério Sganzerla, ou 'Esta noite encarnarei no teu cadáver' de José Mojica Marins, bem como 'O pagador de promessas', a única realizaçao nacional laureada com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Dirigida por Anselmo Duarte, foi produzida e distribuída pela Cinedistri, a empresa de Oswaldo Massaini sediada na rua do Triunfo. Naquele escritório, em abril de 1962, muita gente da Boca brindou a vitória do filme no famoso festival."

Trecho do artigo "Abrindo a Boca", assinado pelo cineasta Alfredo Sternheim, na revista SET, nº 222, dezembro/05.

2 comentários:

Ailton disse...

não sabia que o Alfredo Sternheim era cineasta, Nirton...

Nirton Venancio disse...

Ailton, se você tem o Dicionários de Cineastas Brasileiros abre o verbete do Sternheim... ou vá no Google que deve gter também informaçoes.