terça-feira, 2 de agosto de 2016

sonho e pesadelo de Bertolucci

O último tango em Paris (Le dernier tango à Paris), de Bernardo Bertolucci, 1972, foi um dos filmes mais censurados na história do cinema.

Na Inglaterra, as autoridades, por orientação de políticos conservadores, cortaram várias cenas para que fosse exibido. Nos Estados Unidos, passeatas de comitês de moralidade na porta de cinemas protestavam com mulheres bem vestidas vomitando. No Chile sob a escuridão da ditadura Pinochet, passou três décadas para chegar às telas. No Brasil foi liberado sete anos depois do lançamento, no governo do último general do golpe de 64, Figueiredo. Mas foi na própria Itália do cineasta que o filme sofreu a mais implacável censura: apenas com uma semana de exibição, em 1975, todas as cópias foram confiscadas e destruídas pela polícia, o diretor preso, processado por obscenidade, condenado a quatro meses de prisão e os direitos civis e políticos cassados por cinco anos. O filme só foi liberado integralmente em 1987.

Bertolucci escreveu o roteiro, em parceria com Agnès Varda e Franco Arcalli, a partir de um sonho erótico que tivera: encontrava-se com uma bela e desconhecida mulher na rua, fazia sexo com ela, e sumia antes que acordasse e perguntasse qual seu nome.

Maria Scheneider, a atriz que interpretou a tal garota dos sonhos, ao terminar o filme não queria mais ver a cara de Marlon Brando, que por sua vez não desejava mais filmar com Bertolucci.

Entre sonhos e pesadelos, o cinema ganhou um clássico incontestável.

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