segunda-feira, 1 de agosto de 2016

poesia em Alphaville

“Todas as coisas se movem. Devemos avançar para viver. Ir direto para aquilo que você ama. Eu fui para você sem pausa para a luz. Se sorrir, é para invadir melhor. Os raios de seus braços perfuram o nevoeiro.”

As falas do filme Alphaville, que Jean-Luc Godard dirigiu em 1965 foram escritas pelo poeta Paul Éluard. Assim se explica um dos mais belos roteiros do cinema, com diálogos precisos narrados como versos pelos personagens.

Éluard, conhecido como o poeta da liberdade por escrever poemas contra o nazismo, foi um dos principais nomes do dadaísmo, e na sequência um dos que deram representatividade ao movimento literário surrealista.

Seu lirismo deu-se em intensidade e profundidade ao conhecer o grande de amor de sua vida, a jovem russa Helena Diakonova, professora, nascida no meio da intelectualidade do começo do século 20.

O enredo de Alphaville passa-se em uma cidade futurista, onde um computador aboliu os sentimentos de todos os habitantes. Um agente chega ao local para convencer o inventor a destruir a máquina.

Fazendo uma analogia entre duas escolhas, ou uma simetria entre ficção e realidade, Godard com sua genialidade e perspicácia, soube muito bem entregar ao poeta os diálogos que imaginava para o roteiro de seu filme. Paul Éluard é convocado à cidade para ir direto ao que se ama.


Os dispostos sempre se atraem.

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