quinta-feira, 4 de agosto de 2016

na parede da memória

foto Irving Penn, 1947
"À medida que o tempo passa, a tinta vermelha em uma tela muitas vezes se torna transparente. Quando isso acontece, é possível ver, em alguns quadros, as linhas originais. Isso se chama pentimento, porque o pintor se arrependeu, mudou de idéia."

Assim a escritora, dramaturga e roteirista Lillian Hellman apresenta Pentimento, um livro de retratos, da série autobiográfica precedida por Uma mulher inacabada e seguida por Scoundrel time e Talvez.

Escrito em 1973, a autora reúne várias reflexões sobre episódios que marcaram sua vida, a luta contra o nazismo, a perseguição implacável do McCarthismo, a convivência com seu grande amor por 30 anos, o escritor de dramas policiais Dashiell Hammett.

O cineasta Fred Zinneman adaptou um capítulo do livro, levando às telas, em 1977, o filme que tem como título o nome da grande amiga da escritora, Julia, vivida por Vanessa Redgrave, enquanto Jane Fonda interpretava Lillian.

Em Pentimento, aos poucos, a cada página, a cada fato relembrado, a cada pessoa que reencontra, a escritora reavalia-se, procura entender o que foi ontem no que está hoje e pode ser amanhã. O que parece arrependimento é assimilação. São respostas em descobertas ao puxar a pele que salta no afresco do passado. Descascar a pintura do tempo e passar outra demão.

As horas que fazem nossa vida e o que delas a imaginação traz, às vezes falseia as lembranças. O passado é a única certeza que temos, tanto quanto o hoje amanhã.

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