sábado, 31 de julho de 2010

um banquinho, um violão...

 Tom Jobim, Vinicius, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal e Carlos Lyra. Anos 60

"João Gilberto é nosso pastor. Nada nos faltará! O Salmo 23 em versão Bossa Nova." - Nelson Motta

"Enquanto o Cinema Novo tentava registrar aquele Brasil que a gente não gosta de ver, a Bossa Nova registrava o Brasil que a gente gostaria de ser." - Carlos Diegues

Essas duas declarações, entre tantas outras curiosas, reveladoras e exageradas, estão no documentário "Coisa mais linda - História e casos da Bossa Nova", de Paulo Thiago, produzido em 2005.

O filme é praticamente conduzido pelos compositores Roberto Menescal e Carlos Lyra, que pecorrem lugares por onde o movimento musical surgiu e se desenvolveu. Ao lado do livro de Ruy Castro, "A onda que se ergueu no mar", lançado em 2001, considero o filme um completo painel histórico e informativo da Bossa Nova, que começou a mostrar seus acordes lá pelos anos 50, e teve seu ponto alto em 1962, quando os seus principais e seminais representantes apresentaram um show no Carnegie Hall, em Nova Iorque. O disco de João Gilberto, "Chega de saudade", 1959, a sofisticação do piano de Tom Jobim, a poesia de Vinicius de Morais, são alguns outros itens abordados para a compreensão do que é classificado como a modernização da música brasileira. 
A Bossa Nova germinou na zona sul carioca, nas areias de Ipanema, por meio de uma turma bem nutrida, intelectual, num Brasil  que vivia um momento de efervecência política, econômica, cultural, e teve, sim, sua importância com aquela batida diferente e letras modernas.

Paulo Thiago fez um filme definitivo sobre a Bossa Nova. Mesmo sem a presença do "pastor" João Gilberto, o único dos remanescentes da época ausente nos depoimentos.

4 comentários:

Simone Sodré disse...

Li e recomendei. Abraços.

Marcelo Novaes disse...

A ausência de João Gilberto era mais-do-que-esperada, dadas as "idiossincrasias" do compositor. No mais, as duas obras dão um bom panorama de um tempo e de um movimento cultural.

Gosto de panoramas. O último livro que adquiri é "O Teatro & ...Eu", de Sérgio Britto.

Abração.

Marta Moares disse...

Tenho que passar na locadora , vou ver!O filme , deve ser bom...
quanto ao livro ainda não li . Obrigada pela dica !

Alexandre Marino disse...

Nirton, legal a nota, vou procurar esse filme. A frase do Cacá Diegues é perfeita. Infelizmente, o Brasil que gostaríamos de ser se perdeu no tempo.