sábado, 31 de dezembro de 2005

FICA



A Cidade de Goiás transforma-se mais uma vez em um grande palco, agora para viver a oitava edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental - FICA.

As inscrições para o certame, que se realiza anualmente na cidade de Goiás, começam no dia 15 de janeiro e se estendem até de março. O regulamento do festival já foi publicado no Diário Oficial do Estado. O FICA de 2006 vai destinar R$ 240 mil em prêmios aos sete primeiros colocados, além de troféus e menções honrosas aos participantes.

Outras informaçoes no sitio www.fica.art.br

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

o que sai da Boca

"O pagador de promessas", de Anselmo Duarte, 1962
"Induzido por alguns críticos da época, passou-se a considerar que o cinema da Boca do Lixo fosse um estilo, ou só um tipo de cinema, vulgar e apelativo. Nao é verdade. Ninguém nega que possa ter existido vulgaridade em muitas realizaçoes, mas esse elemento nao era freqüente. E nao era também uma linha única entre os filmes concebidos e executados pelos cineastas daquela reguiao. Embora os que insistem em depreciar aquela fase citem apenas produçoes com títulos de apelo erótico como 'Vidas nuas' ou 'Tráfico de fêmeas', é preciso frisar que da Boca saíram criaçoes consideradas 'cult' como 'O bandido da luz vermelha', de Rogério Sganzerla, ou 'Esta noite encarnarei no teu cadáver' de José Mojica Marins, bem como 'O pagador de promessas', a única realizaçao nacional laureada com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Dirigida por Anselmo Duarte, foi produzida e distribuída pela Cinedistri, a empresa de Oswaldo Massaini sediada na rua do Triunfo. Naquele escritório, em abril de 1962, muita gente da Boca brindou a vitória do filme no famoso festival."

Trecho do artigo "Abrindo a Boca", assinado pelo cineasta Alfredo Sternheim, na revista SET, nº 222, dezembro/05.

a fuga das salas de cinema



A estréia de "King Kong" no Brasil teve 405.405 espectadores no primeiro fim de semana. É um número e tanto. Mesmo assim, decepcionou os exibidores, que esperavam bater recordes com a terceira versão da estranha história de amor entre a atriz loura e o macaco gigante. Mas logo apareceu uma explicação para o relativamente fraco desempenho da fita. A culpa é do Natal. Os shoppings estavam cheios e, conseqüentemente, os estacionamentos dos shoppings também. O público deixou para ver o filme depois já que não teria onde estacionar.
Convenceu? Não a mim. Passei os últimos anos escutando que os cinemas de rua acabaram porque o público queria segurança e estacionamento. Por isso os cinemas foram transferidos para os shoppings. Agora são os estacionamentos dos shoppings que estão levando o público a não ir aos cinemas?
A verdade é que as platéias estão abandonando as salas de cinema em todo o mundo. Este ano, o Brasil vai fechar a conta com uma queda de 23% na freqüência em relação ao ano passado. Os números nos Estados Unidos não são tão assustadores, mas incomodam os empresários que vivem desta atividade. Nos últimos cinco anos, a freqüência caiu em 5%. Parece pouco se comparado com os índices brasileiros, mas já é o suficiente para o pessoal de lá se mexer. A Associação Nacional dos Proprietários de Cinemas nos EUA trataram de encomendar uma pesquisa para saber o que está acontecendo. Como todo mundo sabe, nenhum negócio sobrevive sem pesquisa nos Estados Unidos. O resultado não surpreendeu ninguém. São três as maiores reclamações dos pesquisados. Eles estão deixando de ir ao cinema porque acham que as salas exibem anúncios demais antes do filme, porque não suportam mais o barulho de celulares tocando e de gente falando alto durante a projeção e, principalmente, consideram o preço dos ingressos caro demais. Preferem alugar um dvd e assistir a filmes em casa.
Ninguém imagina que, a partir de agora, os cinemas vão cortar os anúncios que precedem as sessões. Até porque, se fizerem isso, vão acabar tendo que piorar a situação de outra das queixas e aumentar o preço do ingresso (hoje, nas grandes cidades americanas, um ingresso está custando em torno de US$ 10). Sobrou, então, para o celular.
A disposição dos empresários é proibir a entrada nos cinemas com aparelhos de telefone celular. E contratar mais lanterninhas, que repreenderiam os espectadores que conversem alto durante a sessão ou façam qualquer tipo de barulho. Após a repreensão, se o espectador insistir no... hummm... comportamento inadequado, seria convidado a se retirar da sala.
Há quem ache que essas medidas, se forem realmente tomadas, vão piorar a situação. Por isso, a solução para os produtores está deixando os exibidores furiosos: a idéia é terminar com o espaço entre os lançamentos do filme e do dvd. Se o espectador está esperando o filme sair em dvd para, enfim, assistir a ele, por que não lhe dar logo a oportunidade e diminuir as chances da pirataria?
Como se vê, ninguém sabe direito o que fazer para recuperar os espectadores de cinema. Mas é certo que, muito em breve, assistir a um filme será uma experiência diferente da que é hoje.
POR ARTUR XEXEO - O Globo - 25/12/05

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Vinícius e o cinema

Vinícius de Moraes (D) com os cineastas Orson Welles (C) e Alex Vianny, 1948

"O cinema é infinito - não se mede.
Não tem passado nem futuro. Cada
Imagem só existe interligada
À que a antecedeu e à que a sucede."

Trecho do poema "Tríptico na morte de Sergei Mikhailovitch Eisenstein", de Vinícius de Moraes (1913-1980), um apaixonado pelo cinema, pelas mulheres, pela poesia, pela vida. Não necessariamente nessa ordem. O documentário "Vinícius", de Miguel Farias Jr., em cartaz nos cinemas, é um comovente retrato do mais querido e sedutor dos poetas brasileiros contemporâneos.

domingo, 18 de dezembro de 2005

Brésil en mouvements

A Associação Autres Brésils organiza a 2ª edição da mostra de documentários «Brésil en mouvements » que acontecerá durante uma semana no mês de junho de 2006, no Espace Confluences, em Paris.

Este ano, as temáticas abordadas serão trabalho, educação, cultura e sociedade, religião, cultos e crenças, migração, o papel da mídia, perspectivas latino-americanas, Amazônia, meio-ambiente

As inscrições estão abertas até 1º de março de 2006. Os interessados podem desde já enviar uma cópia do filme em dvd para o endereço Autres Bresils, 73 C, avenue Gambetta 75020 Paris, France. Dados completos para o e-mail jeanne@autresbresils.net.

Outras informações no Brasil com Sofia Karam: 21-2249 41 76 ou 21-9353 03.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

o cinema de Sérgio Machado



“Todo mundo tem tesão, medo, inveja, dor de barriga, todo mundo sabe que vai morrer. Então, eu queria fazer um filme a partir do meu interesse pelas pessoas, pela minha curiosidade pelos outros. E fazer um filme sobre gente para quem normalmente não olhamos, que a gente varre para debaixo do tapete, que a gente não quer ver, e mostrar que essas pessoas, quando vistas de perto, são iguais a nós.”

“Eu sou um maníaco-doente-obsessivo preparador. Durante dois anos, eu só faço pensar no filme. Então, eu fiz anotações, anotações, anotações e fiz um livrão de quase quinhentas e tantas páginas com tudo que eu tinha anotado sobre cada cena, com fotos, desenhos, mapas, esquemas, tudo muito preciso."

“Eu descobri nesse processo que, basicamente, um diretor tem dois papéis: um, como o nome já diz, é dirigir, fazer com que todo mundo crie na mesma direção; o outro é seduzir a equipe, ficar o tempo todo dizendo, ‘vamos lá, tá bacana, cria mais’, para o fotógrafo, para o diretor de arte, tentar motivar todo mundo para agir criativamente. O contrário do que eu penso é essa pessoa que fica, ‘aqui é meu filme, ninguém se mete’, que fica se protegendo. Eu acho que isso não faz nada ficar mais autoral. Fica ruim. Você às vezes acha que está ótimo, e não está.”


SÉRGIO MACHADO, diretor de um dos melhores filmes brasileiros lançados neste ano, “Cidade Baixa”, em cartaz nos cinemas do país, driblando os lançamentos de muita bobagem de fim de ano. A entrevista completa de onde foram extraídos os trechos acima está no sítio www.cinemaemcena.com.br

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

editais do MinC


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual (SAV), abriu prazo até 11 de março do próximo ano para inscrições em mais três dos editais que compõem o Programa de Editais de Fomento à Produção de 2006.

No Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Curta Metragem, dos Gêneros Ficção, Documentário ou Experimental (Edital nº 3) serão apoiados 20 projetos, com duração entre 10 e 15 minutos, que irão receber o valor de R$ 80 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

O Concurso de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas, de Curta Metragem, do Gênero Ficção, com Temática Infanto-Juvenil (Edital nº 4), iniciativa da SAV executada em parceria com a TVE/Brasil, apoiará 20 projetos para receber R$ 60 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

No Concurso de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais Inéditas, de Curta Metragem, do Gênero Animação (Edital nº 5) serão contemplados dez projetos para receberem o apoio de R$ 60 mil, cada um. Leia o Edital de Seleção.

Na próxima semana, a Secretaria do Audiovisual irá disponibilizar os Editais de Apoio ao Desenvolvimento de Roteiro Cinematográficos, de Projeto de Teses Acadêmicas e o de Projeto Jogos BR.

As inscrições para a segunda chamada do Edital de Baixo Orçamento (Edital n° 2) continuam abertas até o dia 4 de março de 2006. Leia o Edital de Seleção.

A seleção dos projetos inscritos nos editais será feita por uma Comissão Especial, formada por especialistas na atividade cinematográfica, que levará em conta, dentre outros aspectos, a criatividade artística, a comunicabilidade, a compatibilidade orçamentária, a capacidade técnica e o potencial econômico do filme dentro do segmento de público a que se destina.

Os editais que compõem o Programa de Editais 2005-2006 resultaram de uma ampla consulta que envolveu as entidades representativas da atividade, a partir de reuniões do Conselho Consultivo da Secretaria do Audiovisual, quando foram consideradas as demandas e peculiaridades de cada setor.
Todos os editais acima citados encontram-se disponivéis no sítio www.cultura.gov.br, no link Apoio a Projetos/Editais.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Del Toro


Aparentemente, Benicio del Toro pulou fora da cinebiografia de Che Guevara na qual iria fazer o papel principal. O site Production Weekly, que lista o andamento de produções cinematográficas ainda por estrear, passou a listar Benjamin Bratt, ex-marido de Julia Roberts, como o protagonista do filme, a ser dirigido por Steven Soderbergh.
Meses atrás, del Toro estava escalado para o papel e o nome do filme seria "Che". Agora, e até segunda ordem, se chama "Guerilla". No Festival de Cannes de 2005, quando perguntado sobre o estágio em que se encontrava a produção, del Toro, na ocasião divulgando "Sin City - A cidade do pecado", disse que o formato do filme estava sendo repensado.

(Jaime Biaggio - O Globo)

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Fluxus



O evento brasileiro Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet será exibido no Centre Pompidou, em Paris, no próximo dia 15 de dezembro. Escolhido pela curadora francesa Isabelle Arvers para ser exibido dentro do ciclo "Plasticiens du Web", o programa do Fluxus será composto por 18 trabalhos, entre ficções, vídeos experimentais, animações e documentários, que participaram da edição 2005 do festival. Essa seleção do Fluxus traz produções de 10 países e, entre eles, sete produções brasileiras como os experimentais "Andrômeda", de Carlos Magno, "22 22", do coletivo paulista UDDQEM e "Banhos 1", de Louise Ganz, além dos documentários "Retratos Consentidos", realizado em Cuba pela brasileira Ana Luísa Sales e "Biografia do Tempo", de Marcos Pimentel e Joana Oliveira.

Cinema, vídeo digital, web-arte, videodesign, vídeos produzidos com câmeras de celulares e videoblogues reunidos numa mesma interface web. Este é o conceito por trás do Fluxus - Festival Internacional de Cinema na Internet, um evento anual, competitivo, interativo e on-line, dedicado a exibição do audiovisual nacional e internacional de curta duração e que se caracteriza pela utilização da internet como mídia de difusão e exibição.

Criado em 2000 e já tendo 258 trabalhos no seu acervo on-line, que pode ser acessado no endereço www.fluxusonline.com, o Fluxus, que é dividido em quatro categorias competitivas - E-cinema (ficções, experimentais), Anémic (animações), .doc (documentários) e Interactiva (web-arte e interativos) - é o mais antigo e duradouro festival na internet e foi criado para ser um espaço de confluência de tendências entre diferentes mídias, suportes e linguagens, além de abrigar o uso criativo das novas tecnologias.

O Fluxus é uma realização da produtora cultural Zeta Filmes, de Belo Horizonte, e sua sexta edição acontecerá no segundo semestre de 2006.

A lista completa dos trabalhos do Fluxus que serão mostrados no Centre Pompidou:

01. "Living Canvas", de Jimmy Chim (Canadá, 2003, DV, 4min.)
02. "Digitalsnapshot", de Lo Iacono (Alemanha, 2004, DV, 4min.)
03. "Bossa Astoria", de Péter Csornay (Hungria, 2004, Flash, 4min)
04. "Retratos Consentidos", de Ana Luísa Figueira Sales (Cuba, 2004, 16mm, 6min.)
05. "Grau", de Robert Seidel (Alemanha, 2004, DV, 10min.)
06. "Andrômeda",de Carlos Magno (Brasil, 2005, DV, 6min) -
07. "Indul a Nyar",de Hajnal Zoltan (Hungria, Flash, 2004, 3min.)
08. "Pause 04",de Claudio e Gustavo Santos (Brasil, 2004, DV, 4min.)
09. "BRTLD bertoldo",de Cristiano Trindade (Brasil, 2005, 5min.)
10. "Caindo",de Johannes Burr (Alemanha, 2003, DV, 5min)
11. "Liquidação",de Mannin de Wildt (Holanda, 2004, 16 mm, 11min.)
12. "Somnambules",de Pierre Wayser (França, 2003, Flash, 4min)
13. "Banhos1",de Louise Ganz (Brasil, 2004, DV, 4min)
14. "Venise",de Haruo Ishii ( Japão, Super 8, 2004)
15. "22 22", de UDDQEM (Brasil, 2005, Mídias Diversas, 5min03).
16. "Biografia do Tempo",de Marcos Pimentel e Joana Oliveira (Brasil, 2004, 35mm, 8min.)
17. "Ballast",de Ulrich Fischer (Suíça, 2004, Super 8, 2min.)
18. "Estudos em Stop Motion - Serie 13",de David Crawford (EUA, diversas mídias, 2004, 7min.)

Mais informações sobre o Festival :
http://www.centrepompidou.fr
www.fluxusonline.com
Zeta Filmes - (31) 3296.8042 / 32931582

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Richard Pryor, ator



O ator norte-americano Richard Pryor morreu sábado passado, dia 1o, aos 65 anos, de um ataque cardíaco em sua casa, no Vale de San Fernando, Califórnia. Ele foi diagnosticado com esclerose múltipla em 1986 e, desde então, a sua saúde vinha se deteriorando. Com o humor que sempre o caracterizou, Pryor interpretou o papel de um paciente com seus sintomas reais em um episódio da popular série “Chicago Hope”, pelo qual concorreu ao prêmio Emmy em 1995.

Nascido em Peoria, Illinois, ele se destacou pela vocação cômica, através da qual tentou derrubar as barreiras sociais da minoria negra nos Estados Unidos. O êxito nas telas durante as décadas de 70 e 80 colocou Pryor entre as estrelas mais bem pagas de Hollywood.

Pryor co-escreveu o roteiro do divertido "Banzé no Oeste" (Blazing saddles), de Mel Brooks, 1974, e iria estrelar "A História do Mundo: Parte 1" (History of the world – part I), também de Brooks, em 1981, mas teve que ser substituído devido a um trágico acidente: viciado em drogas na época, ele tentou suicídio e acabou provocando um incêndio que o deixou com queimaduras de terceiro grau. Sua recuperação foi rápida e, logo depois, ele escreveu, produziu e dirigiu uma autobiografia: "Jo Jo Dancer, Your Life is Calling" (1986).

Em “O mágico inesquecível” (The Wiz), 1978, de Sidney Lumet, Richard Pryor tem uma das melhores atuações no cinema, vivendo o personagem-título. O filme em si é interessante pela versão com elenco negro, bem diferente do livro “The wonderful wizard of Oz”, de L. Frank Braum, que foi adaptado incialmente para as telas em 1930, o mundialmente conhecido “O mágico de Oz” (The wizard of Oz), de Victor Fleming, com Judy Garland cantando “Over the rainbow”. No filme de Lumet o roteiro por sua vez foi adaptado da peça teatral de William F. Brown, que fazia essa proposta de todos os personagens serem negros. O Mágico Pryor contracenava com Diana Ross vivendo Dorothy e Michael Jackson sintomaticamente fazendo o Espantalho.

Entre outros filmes mais conhecidos, estão "Car Wash" (Car Wash), de Michael Schultz, "O expresso de Chicago" (Silver Streak), de Arthur Hiller, ambos de 1976, e em 1980 "Loucos de dar dó" (Stir crazy), de Sidney Poitier, e a lastimável participação em "Superman III", de Richard Lester.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Jarbas Barbosa, produtor



"Acabo de receber uma triste notícia: aos 76 anos de idade, morreu ontem em Recife, de problemas respiratórios causados por um enfizema pulmonar, o produtor Jarbas Barbosa. Paraibano de Campina Grande, Jarbas foi, ao lado de Luiz Carlos Barreto, um dos poucos produtores a participar do surgimento do Cinema Novo brasileiro. Ele começou como câmera nos jornais da tela de Herbert Richers, nos anos 1950, vindo a se tornar um dos produtores mais bem sucedidos daquele período. Jarbas foi responsável pela produção de alguns dos primeiros filmes do Cinema Novo, como "Boca de Ouro" (Nelson Pereira dos Santos), "Ganga Zumba"(Cacá Diegues), "Os Fuzis" (Ruy Guerra) e "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (Glauber Rocha). O último filme produzido por ele foi "Xica da Silva", em 1976, depois do qual se retirou do cinema e foi viver em Recife, ao lado de seu filho e de seus netos. Há cerca de dois anos ele começou a preparar sua volta ao cinema, tentando montar a produção de um documentário sobre seu irmão Abelardo Barbosa, o Chacrinha da televisão, mas não chegou a concluir esse projeto. Acho que seu falecimento merece uma referência pública, com todas as nossas devidas e sentidas homenagens."
Cacá Diegues


Uns acréscimos: a pesquisadora Silvia Oroz escreveu um livro sobre a trajetória de Jarbas Barbosa. O cineasta Paulo Caldas e a atriz e diretora Janaína Diniz, fizeram em 1997 um documentário sobre o produtor. E há pouco tempo o Canal Brasil dedicou a ele um programa "Retrato Brasileiro". Barbosa, com certeza, será homenageado no próximo Festival de Recife.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

olhares digitais



Estão abertas até o próximo dia 20 as inscrições para Olhares - 1º Festival de Cinema e Vídeo da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Serão cinco mostras, nas categorias ficção, documentário, animação, experimental e infantil. Cada realizador pode inscrever mais de um trabalho.

A iniciativa do Festival é do Projeto de Extensão Focus - Central de Produção Audiovisual, criado em agosto do ano passado. Trata-se de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, o Departamento de Artes e Humanidades e o curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Viçosa.

Regulamento e outras informações no sítio www.ufv.br/dah/olhares.

domingo, 4 de dezembro de 2005

laboratório de roteiro



Estão abertas até 16 de dezembro as inscrições para o Laboratório SESC Rio de Roteiros Para Cinema, que será realizado no SESC de Nogueira, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, de 14 a 18 de março de 2006. Para se inscrever o candidato deve acessar o site www.sescrio.org.br Os nomes dos roteiros e autores selecionados serão divulgados no dia 17 de janeiro de 2006.

Serão escolhidos 10 roteiros brasileiros de longa-metragem de ficção, a partir da avaliação feita por uma comissão formada por profissionais da área. Essa nova série dá continuidade ao projeto que começou com a realização, em 2004, do Laboratório SESC Rio de Roteiros Infantis. Originalmente realizados no Brasil, com a parceria do Sundance Institute, os laboratórios continuam sendo organizados por Carla Esmeralda, que também estava à frente das seis edições brasileiras do Laboratório Sundance de Roteiros.

O próximo Laboratório iniciará suas atividades com a seleção dos 10 roteiros, que serão direcionados para os consultores de acordo com as temáticas. Cada selecionado receberá cinco consultorias especializadas de roteiristas brasileiros e internacionais. Outra preocupação é de que cada roteiro seja tratado de forma diferenciada para que, ao final do processo, os autores tenham explorado diferentes possibilidades de estruturação de seus textos. A comissão de seleção escolherá os roteiros que deverão ter o melhor aproveitamento nos Laboratórios. Entre os aspectos destacados estão força criativa e o desenvolvimento das histórias contadas.

Os Laboratórios Sundance de Roteiros revelaram roteiristas que nunca haviam escrito para o cinema e colaboraram para que experientes profissionais de nosso mercado pudessem discutir seus roteiros com outros profissionais especializados na arte do cinema escrito. Os laboratórios criam um ambiente de discussão criativa em torno dos projetos para que os autores possam experimentar novas possibilidades e novos caminhos para seus roteiros. 170 roteiristas já participaram de edições anteriores dos laboratórios. O SESC-Rio estimula essa comunidade de roteiristas que quer continuar a discussão sobre os seus trabalhos com profissionais especializados, promovendo não só uma troca de experiências, mas também formando amizades.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Wajda


“Se conto a história de dois amantes e os mostro na cama desde a primeira cena, o espectador sabe que os acompanhará até o fim do filme, a menos que algo de grave os separe. Mas, então, esse ‘algo’ será o tema do filme.”

“Todo diálogo é constituído não apenas de palavras, mas também de reações mudas a essas palavras.”

“Todo filme termina com uma imagem que o espectador guardará na memória.”

ANDRZEJ WAJDA, o mais importante cineasta polonês, dando aí umas dicas para os novos roteiristas e diretores. Wajda começou a estudar cinema logo após a Segunda Guerra Mundial, e esteve no campo de batalha, lutando com a Resistência em 1942. “Geração” (Pokolenie), de 1954, “Kanal” (Kanal), 1957, e o mais conhecido, “Cinzas e diamantes” (Popiol i diament), 1958, formam a chamada trilogia sobre os efeitos da guerra. “O homem de mármore” (Czlowik z marmuru), 1976, “Sem anestesia” (Bez znieczulenia), 1978 e “O homem de ferro” (Czlowiek z zelaza), de 1981, são os filmes que lhe deram maior projeção mundial, que fez a cabeça de uma atenta geração cineclubista da época.

Em 2000 recebeu um Oscar Honorário. Gesto de reconhecimento bem-vindo, mas esquisito, vindo de onde veio, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood... Wajda foi um ativo participante da Juventude Socialista Independente, grupo formado por estudantes que tinham uma posição mais à esquerda do regime socialista da Polônia.

“Senhorita Ninguém” (Panna Nikt), foi o seu último filme exibido no Brasil, e graças a 21ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 97. Adaptado do livro homônimo (lançado em 99 pela Editora Record) do também cineasta e roteirista Tomek Tryzna, é um tocante drama sobre o universo juvenil e as dificuldades do amadurecimento, ambientado nos últimos anos do regime comunista.

Às vésperas de completar 80 anos, o cineasta não pára de filmar. Seu mais recente trabalho, agora de 2005, é “Solidarnos c, solidarnos c”, do qual não temos a mais remota notícia de lançamento por estas terras infestadas de “Harry Portter”.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Renato Russo no cinema


E dando seqüência à série “cinema-biográfico-musical-brasileiro”, o cineasta Antonio Carlos Fontoura prepara-se para filmar “Religião Urbana”, que terá como personagem o cantor e compositor Renato Russo (1960-1996), abordando a vida do líder de uma das melhores bandas de rock que surgiram nos anos 80. O roteiro explora mais especificamente o período de formação de Renato, em que o jovem rebelde habitante do planeta-Brasília descobre a cultura punk, forma o grupo Aborto Elétrico, tenta se iniciar na carreira solo denominando-se “trovador solitário”, para depois fundar a bem sucedida Legião Urbana, ao lado dos amigos Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, lançando o primeiro disco lá por volta de 1984. “Mudaram as estações e nada mudou / mas eu sei que alguma coisa aconteceu / está tudo assim tão diferente...” começava “Por enquanto”, uma das mais conhecidas faixas do “bolachão” vinil, a última do lado B. O disco abria com a ótima “Será”, e lá pelo meio ouvia-se a emblemática “Geração Coca-cola”...

Fontoura tem na sua filmografia o clássico “Copacabana me engana”, êxito de crítica e bilheteria em 1968. Na década seguinte fez “Rainha Diaba” (1971), inspirado no lendário Madame Satã, e “Cordão de Ouro” (1976). “Espelho da carne” (1984), é uma incursão nos valores decadentes da burguesia carioca. Autor e diretor de diversas séries e mini-séries realizadas para televisão, voltou ao cinema com “Uma aventura do Zico”, em 1998. Na área musical, há três bons curtas que ele dirigiu nos anos 70, “Meu nome é Gal”, “Mutantes” e “Chorinhos e chorões”, e mais “Heitor dos Prazeres”, de 1966, dois anos de estreiar com “Copacabana”.
Para o filme sobre Renato Russo, Fontoura conta com a imprescindível parceria do produtor Luiz Fernando Rocha, amigo pessoal do cantor e co-roteirista do filme. Em entrevista o cineasta adianta: “não planejo conduzir um filme fiel ao pé da letra à história do cantor. Quero temperar o roteiro com os mitos envolvendo o cantor. Mas como ele tem fãs demais, não podemos fazer algo muito distante do que ocorreu” O projeto tem o apoio total da família Manfredini, que facilitou material e informações aos realizadores.

O filme está na fase mais difícil da pré-produção: a busca de um ator para viver o personagem Renato Russo. O diretor quer um ator entre 17 e 22 anos de idade, com o mesmo tipo físico, e que não conhece , e nem quer, nenhum jovem famoso que seja assim. Melhor. Dá mais credibilidade ao papel. Casos recentes como o Daniel de Oliveira em “Cazuza – o tempo não pára” e Márcio Kieling vivendo Zezé de Camargo em “Dois filhos de Francisco” comprovam que receita é essa.

Paralelo ao projeto de Antonio Carlos Fontoura, está sendo desenvolvido o roteiro de um filme baseado na música de letra quilométrica “Faroeste caboclo”, sucesso do terceiro disco do Legião. O filme será dirigido pelo cineasta brasiliense René Sampaio.

E depois de Renato Russo, a próxima biografia musical no cinema será de Cássia Eller.