segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

o inventor de palavras


Tenho uma dificuldade enorme de escrever poemas dedicados à pessoas,  locais, acontecimentos, datas - que dirá "poemas encomendados"... É o que diz o Drummond, em seu claríssimo "Procura da poesia".

Às vezes me descuido e cometo alguns versos em devotamento, em consagração. Na verdade, me desculpo justificando o afeto em que se encerra às pessoas queridas.

Hoje é aniversário do poeta Manoel de Barros, 95 anos. Assim como Drumond, Bandeira, Gullar, Pessoa, Whitman, Régio, Cecília, Quintana... devo muito a ele, pela poesia que me invade a vida. Esse poeta, nascido à beira do rio Corumbá, sabe como pouquíssimos reinventar as palavras, dar significado tão profundo às insignificâncias do dia a dia. Seus livros devem estar sempre ali, ao alcance da mão, para uma releitura, como primeiros socorros quando nos perdemos em devaneios desnecessários no nosso cotidiano.

O cineasta Pedro Cezar fez um belíssimo documentário, "Só dez por cento é mentira", lançado ano passado, onde encontramos uma espécie de "biografia inventada" do poeta matogrossense. O "inventada" é mais uma das saudáveis brincadeiras do poeta com as palavras. O filme é narrado com depoimentos de leitores, familiares, leitura de poemas, e conversas do próprio poeta, o que nos deixa mais cativados pela grandeza em sua simplicidade. 

Então, como às vezes me descuido e cometo versos declarando-me a quem amo, eis aqui o que escrevi ao Manoel, há alguns anos, e coloquei no meu livro "Poesia provisória".

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