terça-feira, 28 de setembro de 2010

a certeza na frente, a história na mão

 
 
"O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré. E Geraldo Vandré não existe mais, foi um pseudônimo que usei até 1968." 


É o que diz Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, 75 anos no último dia 12, quando o procuram. O mitológico autor de "Pra não dizer que não falei de flores" continua recluso em um pequeno apartamento em São Paulo, arrodeado de livros e um violão.

4 comentários:

Adeilton LIma disse...

Não sei nem o que dizer...

Mona Gadelha disse...

Oi Nirton, vi a entrevista com Geneton.É uma perplexidade.

Ricardo Augusto disse...

Ví a "entrevista" do Vandré, meus caros Nirton e Mona. Eu já sabia que havia algo estranho com ele, e que sua saude mental não estava muto boa, já há bastante tempo. Se foi resultado de tortura, de pressão psicológica, de técnicas de lavage...m cerebral, não sei, e talvez ninguém nunca vá saber. O certo é que Vandré não habita mais neste mundo, e isto é uma grande tristeza. Tanta coisa que podia ser esclarecida! Tantas perguntas importantes a serem respondidas! Mas Vandré já não habita mais este nosso mundo.
Eu já havia visto este vídeo que está ai embaixo, e fiquei horrorizado. Um militar, vestido com farda de campanha, cantando "Pra não dizer que não falei de flores" em um show, e oferecendo para o Vandré, que, sentado a uma mesa, mais parece um fantasma de quem havia sido no passado. Mais ainda: Vandré sendo abraçado pelo militar e agradecendo a "homenagem"! O que ví alí foi como uma imensa bofetada na cara de todos os que lutaram pela liberdade e justiça social na minha época de juventude!
Era um militar dizendo: Vejam em que estado está agora aquele que falava mal de nós! Vejam como ele está domesticado! Palmas para o revolucionário que agora está reduzido à condição de um alienado mental! Agora cantemos sua música de protesto! Nós deixamos!
Triste, Nirton e Mona. Muito triste.
http://www.youtube.com/watch?v=519eyCVEliY

Augusto Cesar Benevides disse...

Ví a entrevista,captei ainda algum escrever poético,alguns dizeres vindos talvez de um porto solidão qualquer...Dizem que poesia, poema, verso e poeta são ao mesmo tempo concomitantes, contraditórios e conflituosos.
A poesia é soberana. O p...oema e o verso, invejosos, ambicionam o lugar dela. O poeta é um ser carente, aturdido e lindo, o único com permissão de levar o verso, o poema e a beleza para o julgamento da poesia.
E foi isso que ainda ví no velho Vandré,subindo as escadas da vida,solitário,sem ter nem pra quem dizer adeus.Buscando o vôo do pavão misterioso sem saber mais que quem sabe faz a hora não espera acontecer.Uma vítima a mais de um momento que todos nós queremos esquecer.Mas Vandré continua poeta e seus versos vão caindo em algum vão sem que possamos recupera-los.Triste fim para a poesia.