terça-feira, 21 de setembro de 2010

nem toda sombra na parede é cinema

 O testamento de Dr. Mabuse, de Fritz Lang, 1932

Um amigo disse-me que não vê filmes no computador. No máximo, em dvd. Eu vejo. Não é uma rima, mas é uma solução. Há uma semana estou revendo a filmografia de Fritz Lang; antes fiz o mesmo com a de Yasujiro Ozu, depois passo pra Tarkovski. Revisitando o Cinema. Não há a mais remota possibilidade de assistir a esses filmes no circuito comercial. Provavelmente - e olhe lá! - em alguma mostra promovida por embaixadas, pelo menos seria assim aqui em Brasília.

Claro que seria bem melhor ver o bom cinema nos telões das grandes salas. Mas onde estão essas salas? Nos multiplexes? A "assepsia"  dessas saletas de shopping  começa na frieza da bilheteria, que separa o funcionário do espectador por um espesso vidro e "comunica-se" por um microfone high tech. Não há calor humano nem nesse momento. E se o filme em cartaz for um 3D a sua "aproximação" com os personagens é uma grande mentira, enganação. O tridimensional entra pelo primeiro coração através de uma boa história, um bom roteiro, uma boa direção, e elenco de atores, não de astros.

Não troco duas horas de um avatar por um plano silencioso de Tarkovski, uma câmera-tadame de Ozu, um ângulo expressionista de Lang, uma sequência humanista de De Sica, um take onírico de Fellini, uma câmera delirante de Glauber, um duelo ao por do sol de Sergio Leone, um susto de Hitchcock, uma parábola segundo Pasolini, uma verdade-mentira de Orson Welles, um Monument Valley de John Ford, um samurai de Kurosawa,  um contra-plano de Antonioni, uma dissecação n'alma de Bergman, um caso de amor de Truffaut... mesmo na telinha no meu computador, chupando drops de anis...

2 comentários:

Armando Maynard disse...

Além do mais, temos que correr contra o tempo, antes que sejamos forçados a sair da frente da tela, antes do filme acabar...

Regina Barbosa disse...

Muito instigante o texto!