terça-feira, 19 de junho de 2007

memórias do subdesenvolvimento



“Os documentários políticos como os meus e os do Michael Moore dizem verdades que os meios de comunicação evitam. O público vai ver documentários longos para compreender o que está acontecendo, por isso eles chamam atenção. Há muitos filmes do gênero na América Latina, o problema é que eles são pouco vistos.”


Do cineasta argentino Fernando Solanas, durante o lançamento no Brasil do seu novo filme “Memoria del saqueo”, um documentário que acompanha a trajetória política do seu país dos anos 70 ao final de 2001. É imperdível. O filme está programado na Mostra de Filmes Latinos, que acontece de hoje à domingo no Conjunto Cultural da Caixa, em Brasília.

De forma sincera, sem pudores, e dando nome a todos, Solanas disseca desde o período cruel da ditadura militar até a renúncia do presidente Fernando de La Rúa. Desfilam pela tela os governantes com suas promessas e cinismo deslavado, a situação miserável da maioria da população, a revolta do povo nas praças batendo panelas, os ditames históricos do FMI, o genocídio social provocado pelos planos econômicos neoliberais.

O próprio diretor aparece em registro dos anos 90, quando era deputado e foi baleado “pelo poder de Menem”, como ele acusa, com coragem e convicção. O filme pode lembrar uma onda de documentários no estilo “Fahrenheit 11 de setembro”, pela narrativa controversa, mas antes, bem antes de Michael Moore, Solanas já fazia esse tipo de cinema-denúncia. É de 1968 o clássico “La hora de los hornos”, onde misturava linguagem pop através da música dos Beatles ao manifesto ousado contra os militares e os países ricos.

Em “Memoria del saqueo” não dá para nós, brasileiros, não nos sentirmos espelhados nos acontecimentos apresentados no filme, atordoados e indignados que estamos diante do enxurdeiro “gautâmico”, furacões e navalhadas da corrupção, entre os bois de corte do Renan e a pensão da turma da Mônica...
Solanas fala sobre a dor e a indignação do povo argentino. Sobre políticos desonestos e a necessidade de resgatar a esperança. Um filme sobre o drama da América Latina.

Um comentário:

Equipe Memórias disse...

Obrigado, Nirton!
Apareça lá na Caixa.
O Solanas participará de um debate com o crítico José Carlos Avellar no próximo sábado, 23 de junho, às 19hs.