quinta-feira, 9 de novembro de 2017

deusa ferida

Charge do paranaense Ademir Paixão.
“Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:
É um Corvo hierático e soberbo, egresso de eras ancestrais. ”

- Trecho de O Corvo, clássico poema de Edgar Allan Poe, tradução de Milton Amado, publicado pela primeira vez em 1845, no periódico New York Evening Mirror.
O poeta louco americano, como dizia Belchior, discorre em linguagem ultrarromântica, a tristeza pela perda de sua amada Leonora. A ave misteriosa simboliza o mau agouro, a acepção negativa, e pousa sobre o busto da deusa grega Palas, ferida mortalmente por Atenas.
Um salto no tempo: a belíssima estátua A Justiça, do artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti, em Brasília, é a representação feminina do poder e da verdade. A deusa de olhos vendados e alma aberta. A força e a coragem, a ordem e a regra. E o seboso Mendes corvidae, da "Ordem Essetêefeformes", pousa suas patas asquerosas sobre o busto da imparcialidade.
A simetria do tempo: os versos de um poema que atravessa a história e atualiza o aplicativo do lamento, da dor, da indignação.

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