sexta-feira, 27 de novembro de 2015

amor filial

Noriko tem 27 anos, é bonita, prendada, e o pai, a tia e a vizinhança insistem que ela precisa casar. A moça não pensa nisso, prefere ficar cuidando do pai, viúvo.
“Quero ficar aqui com você para sempre, papai”, diz Noriko sempre que o pai volta ao assunto de que a filha precisa seguir seu caminho.

A partir desse enredo simples, o cineasta Yasujiro Ozu desenvolve o roteiro de um dos mais belos filmes da cinematografia mundial, Pai e filha (Banshum), de 1949.
Setsuko Hara foi uma das atrizes preferidas de Ozu. Pai e filha é o primeiro da trilogia de sua personagem Noriko, retornando em Também fomos felizes (Bakushû), 1951, e no clássico Viagem à Tóquio (Tokyo monogatari), 1953.
Quando Ozu faleceu, em 1963, a atriz parou de fazer cinema e se recolheu na cidade provinciana de Kamakura. Mesmo recusando-se a dar entrevistas e deixar-se fotografar, Setsuro Hara exilou-se com tranquilidade, sem amarguras, se forma zen, ao contrário de Greta Garbo.
Sua partida definitiva, aos 95 anos, foi em setembro passado, e anunciada no começo deste mês. Minimalista como em um filme de Ozu.

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