domingo, 14 de junho de 2015

o último solo

A "indesejada das gentes", como dizia Manuel Bandeira, sempre nos surpreende com sua pontualidade... Nunca aceitamos, nunca queremos o mais certo e inevitável acontecimento a que estamos destinados.

Evitei escrever sobre a partida do compositor Fernando Brant, dia 12, saindo da estação ali no Clube da Esquina para outra travessia... Embarcou em um trenzinho pelas montanhas de Minas... até sumir e continuar em nossos corações de estudante, como diz uma das canções da turma...

E o último solo ontem do guitarrista pernambucano Ivinho, aos 68 anos, não me fez segurar a furtiva lágrima desta postagem.
Debilitado e sofrendo muito no hospital, sabendo da brevidade de suas horas, o músico suspirou uma frase tocante: "Meu colírio são as lágrimas", diante parentes e amigos.

Antes de se internar em consequência de uma hemorragia digestiva, Ivinho estava muito contente com a volta de Ave Sangria, legendária banda da década de 70 em Recife, uma das mais representativas do rock psicodélico da época.

Ivinho participou da banda que acompanhava Alceu Valença, no início da carreira do conterrâneo. Mas seu talento precisava ser mostrado um pouco mais.

O disco abaixo é o seu primeiro trabalho solo, gravado ao vivo no Montreux International Jazz Festival, 1978. Há quem diga que Gilberto Gil foi o primeiro brasileiro a se apresentar no festival suíço... O baiano estava lá, e seu show também virou disco. Mas Gil apresentou-se com sua banda, formada por músicos como Pepeu Gomes e Djalma Correia. Ivinho foi o primeiro artista do Brasil a tocar sua sozinho no imenso palco do concorrido festival.

Brant e Ivinho: Recife encontra-se com Minas noutras esquinas.

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