terça-feira, 30 de junho de 2015

a nave vai à montanha

"Precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos", disse o personagem principal de Os gigantes da montanha, peça inacabada do grande dramaturgo italiano Luigi Pirandello.

A fábula narra a chegada de uma companhia teatral decadente a uma vila isolada do mundo, cheia de encantos, governada por um mago. No início de 2013, assisti no Teatro Plínio Marcos (Funarte), aqui em Brasília, a uma belíssima montagem do Grupo Galpão, de Minas Gerais, sob direção de Gabriel Villela. Pirandello ficaria realizado se tivesse visto a encenação, pela forma como o ato final, originalmente inconcluso, ganhou solução a partir de indicações que o autor deixou nas entrelinhas.

Como resume a frase acima, a peça discute o lugar da arte e da poesia num mundo dominado pelo pragmatismo e pela técnica. O Grupo Galpão discorreu no palco que a poesia mais do que remove, comove a montanha.

E para ilustrar esta postagem, uma cena do filme E la nave va, de outro visionário, Federico Fellini, que soube muito bem dar coerência aos sonhos.

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