quinta-feira, 2 de abril de 2015

Gainsbourg, l'résolus

"Je connais mes limites, c'est pourquoi je vais au-delá", costumava dizer o cantor, compositor, ator, cineasta, sedutor, amante de tantas mulheres, marido de sua musa Jane Birkin, pai de Charlotte Gainsbourg, a cultuada atriz de Ninfomaníaca.

Gainsbourg, que faria hoje 87 anos, "foi mais além" aos 62 anos, tranquilão na certeza que ao saber dos seus limites, fez tudo que queria. Pode-se dizer que ele converteu a tradicional chanson francesa ao universo pop da música, com suas letras ousadas, polêmicas, com sua interpretação sussurrante, como estivesse à meia-luz e por inteiro numa alcova, num pub, entre a sensualidade de suas deusas, seus cigarros Gitanes, seus goles de Bourbon, e outros venenos antimonotonia e tais.

De certa forma, Gainsboug com seus traços de anjo torto, de dândi enviesado, revelou um lado furtivo da sociedade francesa naqueles pulsantes anos 60, 70. A beleza de suas músicas, refletivas em quase 30 discos, vai além da clássica canção de amor implícita, Je t’aime moi no plus. Gainsbourg construía uma espécie de labirinto de imagens com seu tempo poético, um caleidoscópio de sons sofisticados na simplicidade da narrativa.

Ele conhecia seus limites, por isso arriscava. “Je vais, je vais et je viens”, com diz a letra de Je t’aime...

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