segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pingo

Tive poucos contatos com o ator, dramaturgo, agitador cultural e da vida Jota Pingo, que eu nem sabia que se chamava Carlos Augusto de Campos Velho. Eu o admirava de longe. E de perto, já que aqui em Brasília as relações com as pessoas têm essa geografia e simetria entre o abraço e o aceno. Quando vim morar em Brasília, a primeira informação sobre Pingo foi que ele era irmão de Paulo César Pereiro. Mas o cara era tão original, tão único na sua postura irreverente, que essa ligação consanguínea era um detalhe que não se destacava. Eu que passei a dizer que Pereio é que é irmão dele. Tempos depois, Jota Pingo se tornou sogro de minha amiga, a atriz e educadora Antonia Artheme.


Leio no jornal de sua partida pra outros agitos. A última vez que nos vimos, assim tão-longe-tão-perto, foi na 1ª Bienal do Livro, que aconteceu aqui em abril deste ano. Estávamos na fila comprando pipoca e pedi a minha sem sal. Pingo, do meu lado, comentou "tá certo, camarada. Temos que cuidar do coração. A minha também sem sal". E saímos os dois caminhando entre livros, com a pressão alta sob controle.

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