terça-feira, 30 de outubro de 2012

a sustentável leveza do ser

Essas esculturas são feitas de ferro fundido, pesadíssimas, penduradas por cordas de aço. Mas a sensação que passa é de leveza, como se flutuassem. Não consigo falar muito sobre a curiosíssima exposição Corpos Presentes - Still Being, do britânico Antony Gormley, no CCBB Brasília. Há uma admiração silenciosa em mim com que vi.

Dividida, aliás, expandida em cinco ambientes, o corpo humano masculino apresenta-se nas mais diversas formas imaginadas pelo artista. O molde é o seu próprio corpo. Gormley consegue com a dureza da matéria prima expressar o interior do corpo, ou o que seria a essência que respira, pois segundo ele "não se pode tocar o corpo sem considerar a alma". Há na exposição algumas fotos do processo de confecção das esculturas. O que se vê nas imagens de bastidores são várias pessoas trabalhando com ferros de soldar a gás, como numa oficina mecânica. Mas isso não desmitifica o impressionante trabalho. As expressões corporais, os contornos anatômicos são de uma dramaticidade perfeita, convincente, que dialogam com o nosso olhar atento.

As esculturas de tamanho real, denominadas Critical Mass II, as que mais me impressionaram, e liberadas para o visitante fotografar, estão expostas em um enorme galpão aberto do CCBB, que parece construído para essa finalidade.

E eu que achava que não conseguiria falar sobre o que achei, falei. O corpo fala, não tem como calar.

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