segunda-feira, 16 de julho de 2012

sambista de valor

"Não tenho veia poética, mas canto com muita tática, não faço questão de métrica, mas não dispenso a gramática"

Alvaiade, batizado Osvaldo dos Santos, foi um dos maiores compositores brasileiros. E ilustre desconhecido. Com muita veia poética, sim! Carioca da gema, sambista de primeira ligado a Portela, tocava vários instrumentos, principalmente percursão. Aprendeu tocar cavaquinho de ouvido. Segurava a onda da sobrevivência com um salário de tipógrafo. E como bem cantou Paulinho da Viola em "14 anos", "sambista não tem valor nesta terra de doutor", Alvaiade quando faleceu em 1981, aos 68 anos, com uma aposentadoria mixuruca, seu corpo permaneceu dois dias no IML antes de ser reconhecido.

Na minha pesquisa para o livro "Os mais belos versos da música brasileira", encontrei uma riqueza de composições. "O que vier eu traço", que ele compôs em 1926 em parceria com outro desconhecido de todos nós, Zé Maria, talvez seja a mais conhecida, pela interpretação simpática de chorinho com "beat acelerado" da saudosa Ademilde Fonseca.

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